quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14778
Direitos Humanos| 11/01/2008 | Copyleft

LANÇAMENTO EDITORIAL

Boaventura analisa Justiça brasileira e defende revolução democrática

Novo livro do sociólogo português nos desafia a pensar sobre tal revolução como exigência de um tempo marcado pelo protagonismo do atual sistema judicial e pela conscientização das classes populares sobre a desigualdade e violações de direitos.

Já não é novidade o fato de que a política econômica neoliberal tem atuado de modo globalizado em nome de uma agenda que, dentre outras pautas, tem objetivado a prevalência do mercado em detrimento do Estado, do setor privado sobre o público, do individual sobre o coletivo. São conhecidas no mundo inteiro, em especial nos países latino-americanos, as escandalosas seqüelas sociais fruto desta política, em especial a falta de casa e comida, os altos índices de desemprego e a degradação ambiental.

Neste projeto de globalização, o direito hegemonicamente vigente tem se colocado a serviço desta agenda a quem tem garantido preferência e proteção efetiva, sobretudo através do sistema jurídico estatal.

O resultado disso, sobretudo no Brasil, tem se refletido na ausência de uma cultura jurídica democrática, traduzida não apenas no crescente afastamento entre o sistema judiciário e as demandas de prestação jurisdicional - notadamente das camadas populares -, como também na formação legalista dos magistrados, num sistema judicial voltado à segurança jurídica dos negócios e da economia, na incompreensão das atuais exigências sociais e na baixa aplicabilidade dos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal.

Os sistemas jurídico e judicial sob a idéia de revolução
Superar esta realidade a partir de uma ampla revolução democrática do direito e da justiça é o que vem propondo o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos. Lançada no final do ano passado, durante o Encontro do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável, sua mais recente produção bibliográfica intitulada "Para uma revolução democrática da justiça" (Editora Cortez, 2007) representa uma das mais lúcidas e pertinentes contribuições sobre o tema

Centrado nos sistemas jurídico e judicial brasileiro, Boaventura nos desafia a pensar sobre tal revolução como exigência de um tempo marcado não apenas pelo crescente protagonismo social e político do atual sistema judicial, como também por uma coletividade de cidadãos, em especial as classes populares, cada vez mais consciente das desigualdades e violações de direitos fundamentais de que são vítimas.

A revolução democrática da justiça é uma tarefa exigente, que só fará sentido se for tomada como ponto de partida uma concepção emancipatória do acesso ao direito e à justiça. Para tanto, enfatiza, são necessárias profundas transformações na cultura jurídica e judiciária que só serão possíveis se forem capazes de compreender uma nova formação dos operadores do direito; profundas reformas processuais; novas concepções de independência judicial; uma nova relação de poder judicial, mais próxima dos movimentos e organizações sociais; novos mecanismos de protagonismo no acesso ao direito e à justiça e ainda uma cultura jurídica democrática.

Idéias e contribuições relativas ao tema da democratização do acesso à justiça não são novas. O mérito das discussões provocadas por Boaventura de Sousa Santos, em especial aquelas aventadas neste livro recente, está justamente em evidenciar que o atual momento social e jurídico é "tão estimulante quanto exigente". Experiências como as promotoras legais populares, as assessorias jurídicas universitárias, o programa justiça comunitária e a advocacia popular, são exemplos de iniciativas existentes no Brasil, valorizadas pelo autor, que muito tem contribuído para a reinvenção de práticas alternativas ao direito hegemonicamente vigente. Uma revolução democrática seria assim, por que não, um caminho contra-hegemônico, capaz de originar um paradigma emancipatório de promoção e garantia de uma justiça social e cidadã.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Rede Bandeirantes de Televisão incentiva práticas de crueldade contra animais

Olá amigos da causa,

A Rede Bandeirantes de Televisão está exibindo todos os domingos, às 11 horas, um novo programa denominado Astros do Rodeio, que, como o nome indica, incentiva essa prática com todos os maus-tratos a animais que ela envolve.

Pedimos para que manifestem sua indignação — não só com o programa, mas também com a emissora e patrocinadores — através de e-mails para os endereços:

cat@band.com.br

astrosdorodeio@band.com.br

ou através de cartas:

A/C Central de Atendimento ao Telespectador

Rua Radiantes, n° 13

Morumbi

Cep: 05699-900

São Paulo- SP

Segue abaixo a carta que foi enviada pelo Instituto Nina Rosa para a emissora e a imprensa.

São Paulo 08 de janeiro de 2008

Aos interessados
Ref: Programa Astros do Rodeio – Rede Bandeirantes de TV

Um incentivo à violência: é dessa forma que os rodeios podem ser encarados. Tal prática causa sofrimento e grande stress aos animais, e mesmo assim existem pessoas que se divertem às custas de sua dor e flagelo.

Afirmar que cavalos, bois e bezerros não sofrem durante a realização de eventos como esse é negar o óbvio, já que aquele não é seu habitat, o animal não sabe o que está acontecendo, fica muito assustado com o barulho, as luzes, os maus-tratos. Além da tortura prévia, como choques e espancamentos, animais mansos são levados ao comportamento anormal de corcovear em desespero numa arena, pois estão sob o jugo de artifícios como o sedém, utilizado para comprimir sua virilha e seus genitais.

Hoje é fácil assistirmos a matérias e reportagens que tratem de assuntos relacionados à importância do meio ambiente, mas e os animais? Eles não fazem parte do que chamamos natureza? E quando se fala de respeito ao próximo, seria possível tratar do assunto limitando-se aos homens, e expondo outros seres a maus-tratos e exploração?

Querer iludir de que os animais não sofrem é um dos atos mais egoístas do ser humano, pois eles não falam como nós, nem recebem ajuda como nós quando nos encontramos em situação de risco. Sofrem em silêncio. Isso não é justo.

Os meios de comunicação têm, sim, uma função social a cumprir, e não apenas a de entreter. Quando se pensa em violência e crueldade, muitas vezes esquece-se dos animais, explorados das mais diversas formas. Assim, seus gritos dificilmente são ouvidos e seu sofrimento passa a ser ignorado. Até quando?

Não apenas os animais saem perdendo com tudo isso, mas a sociedade como um todo, ao apoiar, patrocinar e ensinar diversão às custas de sofrimento.

Informamos que, indo ao ar esse programa tão distanciado da moral, ética e civilidade, estaremos promovendo boicote à emissora e a todos os produtos dos patrocinadores.

Sem mais,

Instituto Nina Rosa – projetos por amor à vida
Educação humanitária – um caminho para a paz

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Folha de São Paulo, 13/01/08
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1301200804.htm
Com estímulo oficial, floresta vira capim

Motor do desmatamento, pecuária explode na Amazônia e torna Brasil maior exportador mundial de carne, diz novo estudo

Região Norte responde hoje por 36% do rebanho do país e um terço das exportações, turbinada por subsídios e pela falta de fiscalização

MARTA SALOMON
ENVIADA ESPECIAL A SÃO FÉLIX DO XINGU (PA)

O município amazônico que mais derruba floresta vende filé mignon mais barato do que carne de segunda no resto do país. Dono do maior rebanho bovino brasileiro, São Félix do Xingu, no Pará, dá um retrato extremo da expansão acelerada da pecuária na Amazônia Legal. Estimulada por terra barata e crédito oficial a juros subsidiados, a atividade está diretamente associada ao desmatamento.
Nesta década, grande parte dos 14,5 mil quilômetros quadrados de mata derrubados no município - quase dez vezes a área da cidade de São Paulo- deu espaço a pastos. Eles abrigam 1,7 milhão de cabeças de gado. São 30 bois por habitante, relação quase dez vezes maior que a média da Amazônia, que já é o triplo da média nacional.
Os recordes de São Félix do Xingu ecoam na região. No ano passado, quando a área desmatada alcançou 19% da floresta, a Amazônia Legal passou pela primeira vez a marca dos 10 milhões de abates, segundo projeções da ONG Amigos da Terra -Amazônia Brasileira.
No relatório "O Reino do Gado", lançado hoje, a entidade estima aumento de 46% nos abates entre 2004 e 2007. A concentração cada vez maior do crescimento do rebanho brasileiro na Amazônia (que entre 2003 e 2006 concentrou 96% do crescimento do rebanho nacional) fez com que a região bancasse um terço das exportações brasileiras de carne, assegurando a liderança mundial do país nesse mercado.
"A pecuária está sendo empurrada para cá", constata Carlos Xavier, presidente da comissão para assuntos da Amazônia Legal da CNA (Confederação Nacional da Agricultura) e da federação local, numa referência à substituição de pastos no Sudeste e Centro-Oeste por culturas de cana-de-açúcar e grãos. "A pressão [sobre a fronteira agrícola] é muito forte."
Não há quem discorde desse diagnóstico, endossado pelo fluxo de fazendeiros vindos sobretudo de Goiás -daí a piada de que capital do Pará é Goiânia, e não Belém.
O aumento do preço das commodities é a hipótese mais forte para explicar por que o ritmo do desmatamento voltou a crescer a partir do segundo semestre de 2007. O crescimento foi detectado por imagens de satélite.
Um novo alerta deverá ser divulgado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) nesta semana, com base nas medições entre outubro e dezembro. O último deles fez o governo mobilizar a Força Nacional de Segurança contra a ação dos tratores.
Ao mesmo tempo em que se mostra preocupado com os sinais de novo avanço do desmatamento na Amazônia, o governo Luiz Inácio Lula da Silva aposta no crescimento da pecuária. Relatório do Ministério da Agricultura prevê aumento de 31,5% da produção de carne bovina nos próximos dez anos.
Segundo o ministério, as exportações brasileiras passariam nesse período do equivalente a 29% a pouco mais de 39% do mercado mundial. Não se cogita reverter o papel da Amazônia nessas cifras.

Pasto subsidiado
A expansão da pecuária de corte na região conta com duas linhas de financiamento operadas pelo Banco da Amazônia, com juros subsidiados, entre 0,5% e 10,5% ao ano -os mais baratos do país.
De micro a grandes, os pecuaristas do Pará receberam R$ 80 milhões em empréstimos em 2007 do Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar) e do FNO (Fundo Constitucional do Nordeste), estima João Miranda, superintendente do Basa.
Um estudo ainda inédito, a ser divulgado no mês que vem pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), estima que entre 2003 e 2007 os pecuaristas da região Norte tenham recebido R$ 1,89 bilhão só do FNO. Apesar de ser proibido usar o fundo para desmatar, ele acaba estimulando a derrubada, diz o Imazon. "Um fazendeiro pode desmatar novas áreas sem empréstimo, pois sabe que obterá bons rendimentos usando o empréstimo subsidiado para comprar o rebanho."
Embora o discurso oficial iniba o desmatamento, uma norma interna do Basa manda dispensar comprovação de reserva legal de florestas na contratação dos empréstimos. Questionado se o banco fiscaliza o desmatamento em propriedades financiadas, o gerente do Basa em São Félix, João Batista Gonçalves, disse: "Não temos como fiscalizar, não somos fiscais do Ibama. Se [o cliente] desmatou mais do que podia, o governo que puna".
Subsídios públicos estão na origem da pecuária na Amazônia. A atividade foi patrocinada pelos governos militares, preocupados em colonizar a região, a partir do final dos anos 1960, sob o lema "Integrar para não entregar". A floresta pouco povoada era entendida como ameaça à soberania nacional.
Na época, o desmatamento foi estimulado e a ele esteve vinculada a posse da terra. A legislação permitia então a derrubada de árvores em metade da extensão das propriedades.
Só em 1996 a regra mudou e passou a exigir 80% de reserva legal de florestas nas propriedades da região. O percentual ficou no papel: "Ninguém respeita [o limite]", atesta o prefeito de São Félix, Denimar Rodrigues (PR). Sai muito mais barato desmatar do que investir na recuperação de pastos, justifica. Eis a lógica da principal -e praticamente única- atividade econômica do município.

NA INTERNET - Leia o relatório www.amazonia.org.br

domingo, 13 de janeiro de 2008

Folha Online, 11/01/08
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u362564.shtml
11/01/2008 - 16h27

PIB paulistano supera o de 22 Estados norte-americanos, diz pesquisa

Publicidade

da Folha Online

O PIB (Produto Interno Bruto) da capital paulista --US$ 102,4 bilhões-- supera a riqueza gerada por 22 Estados norte-americanos, entre eles Hawai, Georgia e New Hampshire, quando analisados individualmente, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira pela Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo).

Segundo o estudo, se a cidade de São Paulo fosse um país, ele estaria entre as 50 maiores economias do mundo, no 47º. lugar, à frente do Egito (15% maior) e do Kwait (27% maior) e na mesma dimensão da Nova Zelândia e da Hungria. Além disso, a riqueza gerada pela capital paulistana corresponde a quase 85% da economia de Israel.

O levantamento de dados econômicos e de outras áreas, além de variedades, foi elaborado pela Fecomercio-SP em função da comemoração dos 454 anos da capital paulista.

O PIB do município de São Paulo em 2005 alcançou R$ 263,2 bilhões, ou US$ 102,4 bilhões. Isso corresponde a 12,3% do PIB do Brasil. A entidade considerou a taxa cambial média de 2005, R$ 2,57.

Ainda segundo a pesquisa, o PIB da capital paulista é maior do que o de todos os Estados brasileiros, exceto São Paulo. O resultado é 7% maior do que o Estado do Rio de Janeiro e 37% maior do que Minas Gerais.

Se o município de São Paulo fosse um país, ele seria o quinto da América do Sul, ao lado do Chile, com um PIB cinco vezes maior que o do Uruguai.

A carga tributária do Brasil em 2005 ficou em cerca de 35% do PIB. A participação da cidade de São Paulo no PIB do Brasil nesse ano foi de 12,3%, portanto o município paulistano contribuiu com pelo menos 4,3% do PIB brasileiro em termos de carga tributária nacional. Ou seja, recolheu mais de R$ 90 bilhões em impostos naquele ano para o país.

O Orçamento de São Paulo foi de R$ 15 bilhões em 2005, menos de 6% do seu PIB. Para a Fecomercio, isso indica que, em média, a contribuição da cidade de São Paulo para o país é muito maior do que ela recebe de volta.

Veja informações e curiosidades sobre a cidade de São Paulo:

Dados geopolíticos

São Paulo é a terceira maior cidade do mundo e a maior das Américas, com mais de 11 milhões de habitantes;

O orçamento da cidade é o terceiro maior do Brasil, atrás apenas do governo federal e do estado de São Paulo;

A cidade de São Paulo tem um território de 1.530 kms2;

A taxa de alfabetização está em 95,4% da população;

Dados econômicos

A cidade de São Paulo é o principal centro financeiro da América Latina e abriga sucursais das maiores instituições bancárias do mundo. São aproximadamente 1.500 agências de bancos nacionais e internacionais. E ainda abriga 38% das sedes das 100 maiores empresas privadas de capital nacional; 63 % das sedes de grupos internacionais instalados no país. São Paulo também é sede de 16 dos 20 maiores bancos múltiplos e comerciais; de oito das dez maiores corretoras de valores e de cinco das dez maiores empresas de seguros;

A BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) é a sexta do mundo em volume de contratos negociados;

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) movimenta R$ 6 bilhões por dia;

Cerca de 30 mil milionários vivem atualmente na cidade de São Paulo;

60% de todos milionários do Brasil vivem na cidade de São Paulo;

Em São Paulo são efetuadas dez compras por segundo via cartão de crédito ou débito;

São mais de 240 mil estabelecimentos comerciais na cidade e mais de 70 shopping centers (o maior número do Brasil). Só os shoppings centers recebem mais de 30 milhões de pessoas por mês;

Variedades

Na cidade de Londres existem 20 mil táxis, e em São Paulo são mais de 30 mil;

A cidade de São Paulo hoje tem a segunda maior frota de helicópteros do mundo, só perdendo para Nova York;

Na cidade de Londres existem um pouco mais de 11 mil bares e restaurantes, e em São Paulo são mais de 38 mil; Desde 1997, a cidade é a capital mundial da gastronomia;

A cidade conta com mais de 5.000 mil pizzarias que produzem cerca de 40 mil pizzas por hora. No caso dos sushis, são produzidos aproximadamente 16.800 por hora na cidade;

São Paulo é a capital cultural da América Latina com a maior diversidade em manifestações culturais. São mais de cem peças teatrais por semana, ou 4.800 peças por ano;

São Paulo é a 3ª maior cidade italiana do mundo; a maior cidade japonesa fora do Japão; a maior cidade portuguesa fora de Portugal; a maior cidade espanhola fora da Espanha; a terceira maior cidade libanesa fora do Líbano;

Fontes:
IBGE, Prefeitura do Município de São Paulo, Banco Mundial, GeoHive, Kaiser Family Foundation / statehealthfacts, Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) e Fundação Seade.

Folha Online, 13/01/08
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u362928.shtml
13/01/2008 - 08h31

Brasil ganha 60 mil novos milionários em um ano

Publicidade

da Folha Online

Hoje na Folha Em um ano, o Brasil elevou o número de milionários em 60 mil, segundo levantamento do BCG (The Boston Consulting Group) publicado em reportagem da edição dominical da Folha (íntegra do texto para assinantes do jornal e do UOL). No ano passado, havia 190 mil milionários no país. Em 2006, eles eram 130 mil --expansão de 46,1%.

A fortuna desses milionários está estimada em aproximadamente US$ 675 bilhões, o que equivale a praticamente metade do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Para o BCG, milionários são aqueles que têm mais de US$ 1 milhão aplicado no mercado financeiro.

André Xavier, sócio-diretor do BCG no Brasil, diz que, para identificá-los, os especialistas entrevistaram gestores de fortunas de 111 instituições financeiras em 60 países. Foi a primeira vez que uma equipe veio pessoalmente ao Brasil para fazer o levantamento.

Entre os fatores que explicam a explosão do grupo dos milionários no Brasil estão a expansão de empresas negociadas na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) em 2007, a valorização do real e os investimentos estrangeiros diretos.

O bom momento da construção civil, o fortalecimento do agronegócio no Centro-Oeste e os negócios relacionados à produção de álcool, na região Sudeste, também fizeram novos milionários, segundo os bancos de investimentos consultados.

Além disso, cresceu o time de executivos brasileiros em companhias estrangeiras recebendo parte dos salários em ações da empresa.

Ranking

Além de ser um dos países em que o número de milionários mais cresce no mundo, o Brasil é o segundo na lista dos países onde as fortunas se multiplicam mais rapidamente.

De acordo com o levantamento do BCG, nos últimos seis anos, os investimentos dos brasileiros com mais de US$ 1 milhão aumentaram a um ritmo anual médio de 22,4%, índice que só perdeu para o da China, onde as riquezas inflaram 23,4% no mesmo período.

Os especialistas do BCG detectaram ainda uma mudança de comportamento dos milionários brasileiros. Boa parte deles já prefere investir no próprio país a procurar aplicações no exterior, como fundos "off- shore" e títulos do governo norte-americano.

Terra, 13/01/08
http://exclusivo.terra.com.br/bbb8/interna/0,,OI2230506-EI10731,00.html

Estudante gasta R$ 12 mil para entrar no BBB e não consegue

A estudante de Direito Joilma Kalliandra, 22 anos, sonhou tão alto com o Big Brother Brasil 8 que perdeu a cabeça e R$ 12 mil. Joilma gastou R$ 2 mil que tinha guardados e pegou R$ 10 mil emprestados para fazer fotos sensuais, que enviou para a produção do BBB 8 para tentar entrar na atração.

» Veja as fotos de Joilma
» Leia mais notícias de O Dia

A exemplo de Íris Stefanelli, que também fez uma série de tratamentos para participar do BBB 7, Joilma investiu em tratamento para os cabelos e cuidados com a beleza, inclusive clareamento dos dentes.

Certa de que seria selecionada, ela gastou R$ 5 mil em roupas para usar durante o confinamento. Joilma ficou de fora da atração e conseguiu recuperar algum dinheiro devolvendo roupas e sapatos que comprou.

A estudante, porém, continua com uma dívida de R$ 5 mil e agora não tem dinheiro nem para pagar o fim da faculdade.

Além do prejuízo financeiro, Joilma perdeu o namorado, com quem pretendia se casar no meio do ano. Ele não teria suportado as piadinhas sobre o ensaio sensual da namorada, que foi publicado na Internet. Nas fotos, ela aparece de lingerie.

Mesmo depois de tudo isso, Joilma afirma que vai tentar de novo. "Se tiver BBB 9, vou me inscrever de novo, com certeza".

O Dia

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Folha de São Paulo, 11/01/08
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1101200819.htm
Processos da Condor vão continuar, diz procurador

Capaldo afirma que julgamento será feito à revelia

DA REDAÇÃO

O procurador italiano Giancarlo Capaldo é responsável pelo pedido de extradição de 139 pessoas acusadas de envolvimento com a Operação Condor às vésperas do Natal passado. Uma declaração dada ontem mostra que ele não está muito convicto de que o pedido será aceito pelos países.
Ele afirmou que o processo pode continuar mesmo que Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai não entreguem as autoridades que teriam se envolvido com a iniciativa. A Condor uniu ditaduras do Cone Sul a partir de meados da década de 70 para perseguir e eliminar opositores. A Itália permite condenação à revelia.
"As famílias das vítimas que não obtiveram justiça tiveram de vir até nós porque em seus países não houve processo para apurar esses fatos", disse Capaldo. "Mesmo depois de tantos anos, há necessidade de se fazer justiça."
Entraves legais impedem que Uruguai, Argentina, Paraguai, Peru e Chile, além do Brasil, enviem os acusados ao país europeu pelos mais diversos motivos: os crimes não podem mais ser levados a julgamento ou não é permitida a extradição de cidadãos a outro país.
Em compensação, há precedente para a assertiva de ontem do procurador. Em março do ano passado, a Justiça italiana condenou à revelia cinco militares argentinos. Eles foram declarados culpados por crimes contra a humanidade cometidos contra italianos que foram vistos pela última vez na Esma (Escola de Mecânica da Marinha), maior centro ilegal de detenção na Argentina durante a ditadura no país (1976-1983).
O Brasil tem 11 pessoas na lista da Justiça italiana, quatro já mortas. Eles são acusados pelos desaparecimentos dos ítalo-argentinos Horacio Domingo Campiglia e Lorenzo Ismael Viñas em 1980.
Capaldo afirma que tem mantido contatos informais com juízes do Cone Sul e de outros países da Europa que procuraram processar os envolvidos com a Condor. "Eu espero que haja colaboração, porque isso ajudará a opinião pública mundial a entender o que aconteceu naqueles anos", afirmou o procurador.
Entre os dispostos a colaborar está o juiz espanhol Baltasar Garzón. Ele investiga a Operação Condor há alguns anos, obteve provas novas e confissões de militares sobre a ação e tornou-se conhecido internacionalmente no processo aberto contra o ditador chileno Augusto Pinochet.

hipócrita!

hipócrita! matou e mata milhares de pessoas e chora no memorial do holocausto?

===================

http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI2225346-EI308,00.html

Bush chora ao visitar memorial do Holocausto em Jerusalém

O presidente americano George W. Bush chorou nesta sexta-feira ao visitar o memorial do Holocausto, Yad Vashem, em Jerusalém, como parte da viagem oficial de três dias a Israel e Cisjordânia. Bush estava acompanhado do presidente israelense Shimon Peres, do primeiro-ministro Ehud Olmert e do presidente do Yad Vashem, Tommy Lapid.

A chanceler israelense, Tzipi Livni, e a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, também estavam presentes. "Diante de crimes indescritíveis contra a humanidade, almas corajosas, jovens e antigas, permaneceram firmes naquilo em que acreditavam. É uma honra estar aqui, é uma experiência comovente, é uma memória viva importante", afirmou o presidente americano.

Depois de ter visitado as galerias do memorial que documentam as etapas do genocídio dos judeus pelos nazistas, Bush, vestido com terno azul marinho e com a cabeça coberta por um kipá, ouviu um coral que cantou um poema escrito por Hanna Senech, vítima da Gestapo na Hungria.

De cabeça baixa e com lágrimas nos olhos, Bush depositou flores, entregues por dois marines em uniforme de gala, ao lado da chama eterna em memória das vítimas do Holocausto.

O Yad Vashem homenageia a memória dos seis milhões de judeus exterminados pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. O memorial geralmente é visitado por todos os governantes estrangeiros que viajam a Israel.

Esta sexta-feira chega ao fim a viagem de três dias de Bush a Israel e Cisjordânia, sua primeira à Terra Santa desde que chegou à Casa Branca em 2001. O presidente americano viajará ainda a países do Golfo Pérsico.

AFP

BBC Brasil, 11/01/08
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/01/080111_tarsocondor.shtml
Tarso Genro admite processo contra acusados da Operação Condor

Tarso Genro (Foto de arquivo: Elza Fiúza/ABr)
Tarso Genro disse aguardar a chegada dos pedidos de prisão
O ministro da Justiça, Tarso Genro, admitiu em Lisboa que os brasileiros apontados como participantes da Operação Condor poderão ser acusados no Brasil.

Juízes de dois países, Espanha e Itália, pediram a prisão de militares brasileiros por participarem da operação, mas a Constituição não permite que brasileiros sejam enviados para julgamento em outros países.

Tarso disse que espera pela chegada dos pedidos da Justiça desses países para ver o que vai fazer: "Quando tiver os elementos em mãos posso decidir se vou pedir a abertura de um inquérito, se será feita uma denúncia imediatamente ou se não há elementos para isso."

A operação consistia na cooperação entre as forças repressivas durante as ditaduras do Brasil, da Argentina e do Chile e incluía a detenção e entrega extrajudicial de pessoas consideradas subversivas aos outros participantes.

Segundo os pedidos de prisão, cidadãos espanhóis e italianos estavam entre as pessoas entregues pelos militares brasileiros, o que fez com que a Justiça nesses países fosse acionada.

Questionado se o julgamento não iria ferir suscetibilidades nos meios militares brasileiros, o ministro respondeu: "Tem a sensibilidade dos militares mas também tem a sensibilidade das famílias dos mortos e a sensibilidade dos que consideram que a tortura não prescreve."

No ano passado, Tarso Genro tinha conversado com o juiz espanhol Baltazar Garzón, que dirige o inquérito, a quem definiu como amigo. "Confirmo que estive com ele no ano passado e ele disse que estava realizando a investigação sobre a Operação Condor".

Polícias

O ministro está em Portugal para uma visita de cinco dias em que vai se encontrar com os ministros portugueses do Interior e da Justiça, além do presidente da República Portuguesa e o diretor da Polícia Judiciária – equivalente à Polícia Federal brasileira.

Entre os temas em discussão estão a cooperação para a formação de polícias e o reconhecimento mútuo de sentenças do foro cível – até agora apenas as sentenças do âmbito criminal são reconhecidas.

Na sexta-feira, ele também terá um encontro com a mais antiga associação de imigrantes brasileiros, a Casa do Brasil de Lisboa.

Tarso Genro disse ainda que fará perguntas ao ministro da Justiça português sobre a situação da brasileira Ana Virgínia Moraes Sardinha.

"Temos informações de uma familiar dela de que ela foi vítima de violência policial e pretendemos saber o que o governo português tem a dizer a respeito", afirmou o ministro brasileiro.

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e o ministro boliviano de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, em reunião em La Paz em 6 de novembro de 2007 Gás da Bolívia
Depois do mercado interno, prioridade é o Brasil, diz ministro.
Petrobras Energia
Brasil e Bolívia vão assinar novo acordo energético.
Petrobras Energia
Bolívia não tem gás para suprir demanda interna.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

http://oglobo.globo.com/sp/mat/2008/01/09/escola_de_samba_veta_couro_de_animal_na_bateria_plumas_nas_fantasias-327934470.asp

Escola de samba veta couro de animal na bateria e plumas nas fantasias

Plantão | Publicada em 09/01/2008 às 08h46m

Diário de S. Paulo

SÃO PAULO - A escola de samba Imperador do Ipiranga não está no Grupo Especial, a elite do samba paulistano, mas mesmo assim promete causar polêmica. A agremiação, que desfilará no dia 3 de fevereiro, no Grupo de Acesso, vai entrar na avenida com um desfile ecologicamente correto e em defesa dos animais. Com orientação da Tribuna Animal e do Quintal de São Francisco, duas organizações de proteção aos animais, a escola eliminou plumas, penas e até o couro dos animais, presente nos instrumentos da bateria e nos sapatos.

- Cuíca, tamborins e outros instrumentos terão material sintético - contou Jamil Jorge, vice-presidente da escola, que procura alternativa para os surdos, caracterizados pelo som abafado.

As fantasias ganharam plumas artificiais laminadas com detalhes em gliter. Muitas foram pintadas a mão. Costeiros foram feitos com plástico de saco de lixo ou TNT, um tecido todo furadinho. Garrafas pet e até latinhas de cerveja compõem fantasias e carros alegóricos. Outro material muito utilizado é a pelúcia, que parece pele de animal, mas não é.

- Algumas escolas já eliminaram plumas, mas não em todo o desfile, muito menos nos destaques. Fizeram isso só em algumas alas. Além disso, os instrumentos da Império do Ipiranga serão novidade, um marco no Carnaval - declarou Altina Medeiros Madellini, presidente da Tribuna Animal, que auxiliou a escola na confecção das fantasias.

Com o samba-enredo "A salvação do planeta é o bicho", de Anselmo Brito, a escola vai passear por temas ligados à preservação do meio ambiente, dos animais e do planeta. Alas criticarão a máfia de animais silvestres, o circo que abusa de animais, os rios poluídos, as queimas, os rodeios. A arara azul e a onça pintada, ambas em extinção, não foram esquecidas. As baianas representarão a mãe natureza. E os integrantes da bateria estarão caracterizados de caçadores. O carro abre alas será uma arca de Noé, cheia de animais.

- Não sabemos como essa inovação será aceita pelos jurados. As fantasias são menos suntuosas e deram muito mais trabalho - disse Jamil, que não sabe se continuará nessa linha nos próximos anos.

- Precisamos de incentivo financeiro, assim, não posso garantir que no ano que vem vamos manter essa linha. Se pintar um patrocinador e se ele quiser plumas... O importante é que esse ano vamos dar o nosso recado: cuide do planeta!

Janeiro 09, 2008
Ministério Público visita Providência para ouvir denúncias de abusos da PM e do Exército nesta sexta (11)
Na próxima sexta-feira, 11 de janeiro, o subprocurador de Direitos Humanos do Ministério Público, Leonardo Chaves, irá à comunidade da Providência para ouvir denúncias e propostas da comunidade sobre freqüentes e repetidos abusos cometidos pela Polícia Militar e, mais recentemente, pelo Exército, que ocupa o morro desde dezembro.
Agência Consciência.Net; clique aqui


Conforme a Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência denunciou em diversas ocasiões desde outubro de 2007, o nível de violência policial na favela aumentou muito desde que o capitão Leonardo Zuma assumiu o comando do Gpae local. Gozando aparentemente de algum tipo de apoio político, Zuma chegou a desacatar ordens abertamente e não sofreu qualquer tipo de punição.

Pouco depois veio a inesperada notícia: o Exército ocuparia o morro por pelo menos um ano para garantir polêmicas obras, fruto de um acordo entre o senador Marcelo Crivella e o presidente Lula. Embora os militares estejam lá desde 12 de dezembro, somente na última terça (08/01) as obras realmente começaram.

Como a Associação e moradores denunciaram, por exemplo, ao jornal A Nova Democracia, desde o início da ocupação militar têm sido freqüentes os casos de invasão de domicílios, revistas indiscriminadas (inclusive de crianças) e intimidação. O caso mais recente foi na última sexta, 4 de janeiro, quando garis comunitários tiveram suas roupas rasgadas em revistas do Exército.

Dois jovens baleados por PMs

Ao mesmo tempo, continuam as atrocidades da PM. Na mesma sexta 04, por volta das 18h, uma viatura do 5o BPM com dois PMs entrou no Morro do Pinto (favela vizinha à Providência) e baleou dois jovens. Edson, de 16 anos, morreu na hora com um tiro na nuca (indício claro de execução sumária) Wesley, de 14 anos, foi atingido no abdômen. O tiro perfurou seus intestinos e ele encontra-se internado no hospital Souza Aguiar.

Os policiais não deixaram os moradores socorrer os jovens, colocaram os corpos na viatura e levaram ao hospital. Moradores revoltados seguiram até o Souza Aguiar e fizeram um protesto em frente ao hospital contra essa violência logo no início do ano. Inicialmente a polícia apresentou a versão de sempre, que os jovens foram atingidos numa "troca de tiros", mas já agora dizem que Wesley foi baleado "acidentalmente".

Esses e outros casos serão apresentados ao MP, e serão pedidas garantias de que o Exército respeite os direitos dos moradores durante a longa ocupação planejada. A reunião será às 14h do dia 11 de janeiro e o endereço da Associação é Rua da Gamboa, 21.
Estadao.com.br, 10/01/08
http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid107094,0.htm

Presos ficam dez horas dentro de viatura em delegacia de SP

Delegado teria dito que só receberia os detidos após receber laudo sobre autenticidade de droga apreendida

Andressa Zanandrea - Jornal da Tarde

Tamanho do texto? A A A A

Werther Santana/AE

Detidos ficaram esperando dentro de viatura

Werther Santana/AE

SÃO PAULO - Dois suspeitos de tráfico de drogas ficaram durante dez horas dentro de uma viatura da Polícia Militar até serem levados para dentro do 20º Distrito Policial, da Água Fria, na Zona Norte. O delegado de plantão, Antônio Carlos Diniz, teria dito aos policiais que só receberia os presos após a droga - 19 cápsulas de cocaína - voltar do Instituto de Criminalística (IC), onde passou por perícia.

Luís Carlos Ribeiro Alves, de 24 anos, e um menor de 17 anos, foram detidos por homens da 3ª Companhia do 43º Batalhão por volta das 17 horas de quarta-feira, 9. Após uma denúncia anônima, os policiais foram até a Rua Pedro Vaz Rego, na favela da Vila Albertina, e prenderam a dupla, após constatar o tráfico.

Os dois foram levados, juntamente com a droga, até a delegacia. Os policiais militares, no entanto, teriam sido informados de que não poderiam entregar os presos de imediato à Polícia Civil - só após o laudo de que substância era realmente entorpecente.

A cocaína saiu para o IC por volta das 21h30, e retornou ao DP às 3h15, quando, finalmente, os presos foram retirados da viatura e levados para dentro do distrito. Enquanto isso, a viatura ficou parada em frente à base da Polícia Militar, sob vigia dos PMs, que podiam estar na rua combatendo outros crimes. O delegado foi procurado, mas não quis falar à reportagem para comentar o assunto.

Folha de São Paulo, 10/01/08
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1001200809.htm
Por uma reforma tributária justa

JOÃO PEDRO STEDILE, DEMÉTRIO VALENTINI, JOSÉ ANTÔNIO MORONI e EMIR SADER

Defendemos que o "corte de gastos públicos" incida sobre o superávit primário e o pagamento dos juros da dívida pública

AS CLASSES dominantes fizeram uma articulação e, por meio dos seus parlamentares no Senado, conseguiram derrubar a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Logo depois, aprovaram a continuidade da DRU (Desvinculação de Receitas da União), que permite o desvio de 20% da receita da União. Com isso, recursos podem ser utilizados sem controle para o pagamento de juros, em vez de em investimentos sociais.
A questão fundamental é que a CPMF era um imposto que taxava principalmente os mais ricos -70% da sua arrecadação vinha de grandes empresas e bancos. Além disso, impedia sonegação, fraudes e desvios.
Com a derrota no Senado, o governo federal tomou a iniciativa de aumentar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) e retomou a cobrança do imposto sobre as remessas de lucros para o exterior.
Essas propostas foram acertadas e justas, atingindo sobretudo os bancos, o sistema financeiro e as empresas estrangeiras, apontando para o combate à desigualdade social e para o desenvolvimento nacional.
Mais uma vez, as forças conservadoras se movimentaram e, tendo à frente a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), fizeram uma campanha mentirosa contra as propostas do governo, com suporte da Globo, dos Democratas e do PSDB.
De um lado, mentem quando afirmam que os mais pobres serão afetados por esses impostos e, de outro, escondem que as taxas de juros exorbitantes cobradas pelo sistema financeiro são o maior custo das compras a prazo. Calam-se porque são beneficiados por esse instrumento.
Diante disso, organizações populares e sindicais, intelectuais e religiosos defendemos que o "corte de gastos públicos" exigido pelas classes dominantes incida sobre o superávit primário e o pagamento dos juros da dívida pública, que é a maior despesa do Orçamento da União nos últimos dez anos.
Trata-se de uma transferência de dinheiro do povo para bancos e especuladores. Em 2007, o governo federal gastou R$ 160,3 bilhões em juros, valor correspondente a 6,3% do PIB (Produto Interno Bruto), que representa quatro vezes o investimento nas áreas sociais.
Precisamos de uma verdadeira reforma tributária, que seja eficaz e progressiva, incidindo proporcionalmente à renda e à riqueza. Atualmente, 70% dos impostos são cobrados sobre o consumo e apenas 30% sobre o patrimônio. É preciso diminuir o peso sobre a população e aumentá-lo sobre a riqueza e a renda. Além disso, é fundamental a redução da taxa de juros básica usada como referência para o pagamento dos títulos da dívida pública com grupos financeiros.
Os bancos, por sua vez, deveriam baixar as escandalosas taxas de juros cobradas dos consumidores e das empresas, que inviabilizam o crédito para o crescimento do país.
Poderiam eliminar as taxas de serviços, que rendem por ano R$ 54 bilhões. Outra forma de aumentar a arrecadação sem prejudicar o povo com cortes no Orçamento é acabar com a Lei Kandir, que isenta do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) as exportações agrícolas e primárias, prejudicando inclusive as contas dos Estados.
Por fim, necessitamos de uma política permanente de distribuição de renda e, para isso, será necessário tomar medidas que taxem o patrimônio, a renda e os privilégios dos 10% mais ricos, que se apropriam de 75% da riqueza nacional.
Só dessa forma poderemos aumentar as oportunidades de emprego e renda e, sem reduzir a contratação ou os salários dos servidores, ampliar os serviços públicos de forma eficiente e gratuita para toda a população, especialmente em saúde, educação e seguridade social.
A sociedade brasileira não pode se calar diante das pressões dos setores conservadores e deve se manifestar, utilizando plebiscitos e consultas como exercício do direito constitucional de decisão do povo sobre assuntos tão importantes para a vida de todos e o futuro do país.


JOÃO PEDRO STEDILE, 52, economista, é integrante da direção nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). DOM DEMÉTRIO VALENTINI, 67, bispo de Jales (SP), é membro da Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, da CNBB. JOSÉ ANTÔNIO MORONI, 44, filósofo, é membro do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) e diretor da Abong (Associação Brasileira de ONGs). EMIR SADER, 67, sociólogo e cientista político, é secretário-executivo da Clacso (Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais) e professor da Uerj.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Website do Instituto Pró-Carne é invadido por hackers da Animal Liberation Front no Brasil

O Instituto Pró-Carne é uma entidade fundada por pecuaristas a apoiada pela "Associação de Churrascarias do Estado de São Paulo", foi criada em 2005 com o objetivo de divulgar maciçamente o consumo de carne.

www.procarne. org.br

As imagens publicadas nos links abaixo mostram como estava o website na manhã do dia 3 de janeiro:
www.veddas.org. br/procarne2. jpg
www.veddas.org. br/procarne3. jpg

Quase um dia após a informação sobre a invasão ter começado a circular em comunidades eletrônicas relacionadas ao vegetarianismo e aos direitos animais, o website do Instituto Pró-Carne continua no ar mostrando imagens fortes de animais sendo abatidos e indicando pesquisas que relacionam o consumo de carne à incidência de câncer.

Os banners mostrados no website, que recomendam o consumo de carne até mesmo para o tratamento de doenças, agora contrasta com frases como “Carne: você paga com a sua saúde e nós ficamos com o seu dinheiro! O nosso lema é: quanto mais alienação, melhor!”.

Nota importante: apesar de termos sido referenciados nos links indicados, o VEDDAS declara não ter tido qualquer participação nesta ação. A notícia nos chegou por via de comentários postados em comunidades do orkut e a divulgação do fato tem caráter meramente informativo.

VEDDAS – Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade
www.veddas.org. br
veddas@veddas. org.br

Site do Instituto Pró-Carne sofre invasão de defensores dos animais

Publicidade

da Folha Online

O site do Instituto Pró-Carne foi invadido por piratas virtuais supostamente ligados a instituições de defesa dos direitos animais. A página, que tem o objetivo de enaltecer os benefícios do consumo de carne vermelha, ganhou fotos de animais ensanguentados. Até as 20h desta quinta-feira, o site invadido continuava no ar.

A ação é assinada pela ALF (Animal Liberation Front) Brasil, grupo internacional que se define como "um dos mais ativos organismos para libertação [de animais] existente". Há também um e-mail na assinatura: lobomau55@riseup. net.

Reprodução
Site do Pró-Carne recebeu protesto de defensores dos animais; "recado" dos piratas virtuais remete a reportagens da *Folha Online*
Site do Pró-Carne recebeu protesto de defensores dos animais; "recado" dos piratas virtuais remete a reportagens da Folha Online

No topo da página, há a seguinte mensagem: "Carne: você paga com a sua saúde e nós ficamos com o seu dinheiro! O nosso lema é: quanto mais alienação, melhor!".

Há também menção sobre os supostos riscos relacionados ao consumo de carne, com links para reportagens publicadas pela Folha Online sobre o risco de câncer no intestino e o câncer pulmonar. E um vídeo do YouTube.

Do lado direito da homepage do site, os piratas virtuais colocaram três fotos com gado sendo morto.

Páginas internas também foram invadidas. Em uma delas, chamada de Pró-Carne Informa, eles publicaram um texto em que usam supostas citações de personalidades como Jean-Jacques Rousseau, Charles Darwin, Leonardo da Vinci e Albert Einstein para condenar o consumo de carne.

Procurado pela Folha Online, o presidente do Pró-Carne, Antenor de Amorim Nogueira, disse não ter sido informado do ataque dos piratas virtuais.

Em sua página na internet --em partes que parecem não ter sido invadidas--, o instituto informa ter sido fundado por pecuaristas em 2005 com o objetivo de "alavancar o consumo interno de carne bovina". Também informa que tem a intenção de "desmistificar a carne vermelha como 'vilã' das carnes, enaltecendo as qualidades nutritivas".

A instituição é responsável por uma campanha publicitária que circulou no metrô de São Paulo há alguns meses, que estimulava o consumo de carne vermelha. O slogan era "Coma Carne. É Saborosa, É Saudável, É Natural".

http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/01/04/ult23u864.jhtm
04/01/2008 - 08h15
Freegans reviram lixo em busca de modo de vida alternativo ao capitalismo

Gabriela Sylos
Em São Paulo

Tarde de dezembro em Santo André (SP). Clientes que deixaram para fazer a feira na última hora apertam o passo. Donas de casa pedem desconto porque as frutas já estão levemente amassadas. Feirantes resistem, tentam manter o lucro. Em meio a montanhas de alface e legumes no chão, algo destoa do cenário típico de fim de feira: revirando os restos descartados pelos comerciantes estão jovens que poderiam pagar pelos alimentos. Mas não querem.

Com o saldo da coleta é que será feito o almoço "freegan", promovido pelos integrantes de um grupo de Santo André, região metropolitana de São Paulo. Os freegans são pessoas que buscam estratégias para viver o máximo possível à margem da economia. Isso inclui consumir o mínimo possível de produtos industrializados na tentativa de burlar o sistema capitalista, que eles consideram maléfico à sociedade.

ALMOÇO FREEGAN EM SANTO ANDRÉ
Gabriela
Legumes desperdiçados em uma feira formam "montanha" na calçada
Gabriela Sylos/UOL
Restos da feira são aproveitados para fazer saladas, prato principal e sobremesa
Gabriela Sylos/UOL
No jardim da casa, as ervas daninhas são preservadas e usadas no dia a dia do grupo
VEJA MAIS FOTOS NO ÁLBUM
O termo freegan origina-se da contração das palavras "free" (livre em inglês) e "vegan" -vegetarianos que além de abolir o consumo de carne e tudo o que vier de animais, também não utilizam produtos que tenham sido testados nos mesmos. A idéia do freeganismo é ultrapassar essa ideologia e adotar estratégias alternativas de sobrevivência e convivência.

O reaproveitamento de alimentos desperdiçados é apenas uma das facetas do movimento -do lixo também podem ser retirados roupas e utensílios domésticos. Outros princípios são: cultivar jardins e hortas coletivas para prover o próprio sustento, abusar do que eles chamam de "transporte ecológico" (caminhadas, bicicleta, skate ou caronas em automóveis), e algumas medidas mais radicais como a moradia livre de aluguel e o desemprego voluntário. A cartilha freegan justifica que a moradia é um direito e não um privilégio (eles sugerem que imóveis abandonados sejam ocupados), enquanto trabalhar significa sacrificar a própria liberdade para obedecer ordens de terceiros. Além disso, trabalho é sinônimo de colaboração com o sistema capitalista.

E, afinal, em tese, com a adoção total das medidas propostas, não haveria mais necessidade de depender do dinheiro proveniente do trabalho.

O termo freegan surgiu na década de 90 e floresceu principalmente em países como Estados Unidos, Austrália e Inglaterra, onde os desperdícios são substanciosos. Nos EUA, algumas pessoas já se organizam para percorrer roteiros com lixeiras "rentáveis". Um exemplo é Madeline Nelson, 51, que largou o trabalho para se dedicar a projetos sociais e ao freeganismo e hoje busca a subsistência pelas lixeiras de Nova York. Em entrevista ao "The New York Times" em junho, Madeline disse que "a maioria das pessoas trabalha mais de 40 horas por semana em empregos que elas não gostam para comprar coisas que elas não precisam".

Em Santo André, as pessoas que aplicam princípios do freeganismo em seu dia a dia há cerca de dois anos dificilmente denominam-se como tais. "Não gostamos de rótulos. Eu não sou uma coisa ou outra, sou uma junção de coisas que eu gosto. Daqui um tempo posso largar tudo e mudar", afirma Ellen, 21, que prefere se identificar apenas com o primeiro nome, assim como os outros membros do grupo de Santo André.

A jovem, que ganha dinheiro vendendo livros e camisetas, é vegan e foi uma das pessoas que teve a idéia de oficializar a refeição freegan que acontecia esporadicamente na grande casa mantida pelo grupo. Agora o almoço acontece todas as sextas-feiras. Os produtos são recolhidos na feira que acontece no mesmo dia na rua ao lado.

Interessam a eles aquelas frutas e legumes que para os feirantes e clientes regulares não prestam mais: um tomate um pouco amassado, a banana que soltou do cacho ou a folha de couve desperdiçada em uma montanha de folhas acumuladas atrás de uma barraca. Mas também não precisa ser qualquer folha. "Melhor pegar a mais verde, que tem mais cálcio e pode ajudar na minha dor de dente", ressalta Ellen durante a coleta. Sua mãe tinha uma quitanda e ela lembra-se de ter visto muita coisa boa ser desperdiçada porque estava apenas visualmente danificada. Ellen ainda mora com a família, mas diz que leva uma vida nômade, entre a sede do grupo e a casa de amigos.

Ritual coletivo
Os feirantes têm reações diversas a estes jovens que se misturam às pessoas que buscam comida por dificuldade financeira. "Alguns indicam onde podemos pegar, outros mal respondem", conta Natália, 22, que durante a incursão pedia licença para procurar alimentos entre as sobras. Publicitária formada, ela trabalha com teatro e cinema.

O grupo busca os produtos coletivamente e compartilha os princípios freeganistas, mas algumas diferenças são evidentes. Enquanto Ellen e Natália não comem carne, outros integrantes não seguem o cardápio vegetariano; Natália já terminou o curso superior, mas outros nem pensam em fazer faculdade. Se Guilherme sonha em montar sua comunidade libertária e sair de casa, nem todos do grupo são adeptos da idéia.

Mas as diferenças pouco importam na hora do almoço. Na cozinha, nada de um corta, o outro refoga. Todos fazem tudo ao mesmo tempo. "Para a gente é um ritual", conta Ellen. "Se tivesse menos gente na cozinha ou uma divisão de tarefas, certamente o almoço sairia mais cedo. Mas isso não importa para nós".

Da coleta ao prato sujo na pia, passam-se mais de três horas. E o trabalho não se restringe a descobrir a melhor combinação entre os legumes: durante o preparo, por exemplo, a água terminou e o grupo teve de checar o registro, além de colocar uma escada dentro da cozinha para verificar a caixa d'água.

O exemplo vem de dentro
As atitudes freegans espalham-se pela casa. Além do tradicional almoço, o grupo já organizou "rolês freegans", passeios aos finais de semana que buscam objetos jogados fora, principalmente em caçambas. "Tem uma privada verde linda que foi jogada fora aqui perto", diz Ellen, que sempre gostou de dar uma "espiada" nas caçambas. O grupo tem planos de construir, no quintal da casa, um galpão feito com material encontrado nas ruas. O local é necessário para abrigar e ampliar o que eles chamam de "baú de dádivas" -caixas que ficam na entrada da casa e recebem objetos doados. Quem quiser dá, quem quiser pega.

"Essa casa é uma auto-gestão, um modelo de solidariedade que tentamos transmitir para fora", conta Marina, 16. Os móveis foram doados, a biblioteca com livros e vídeos foi montada aos poucos, o lixo obviamente é reciclado e os restos orgânicos vão para a composteira. Na horta são cultivados temperos e árvores frutíferas que crescem misturados às ervas daninhas, utilizadas ora para curar ferimentos, ora para reforçar a comida.

Ellen considera-se uma estudiosa do assunto. Diz que aprende a cada dia uma nova utilidade para as ervas daninhas. "Por mais que tentemos não consumir, vivemos como parasitas do sistema, aproveitando aquilo que é desperdiçado", diz, "acho que o futuro está em sobreviver com as coisas que a natureza nos dá".

Viver sem os produtos industrializados é mesmo difícil. Ao lado da salada e dos legumes refogados -fruto do desperdício-, estão o óleo de cozinha e o suco de caixinha comprados no mercado.

"A gente sente a pressão. Essa roupa que eu estou usando foi comprada; para chegar aqui eu peguei o trem; os meus pais me cobram que eu faça uma faculdade", assume Ellen, lembrando que o grupo tem que pagar o aluguel da casa e vender cerveja para fechar as contas no final do mês. "Mas eu pretendo continuar estudando as plantas e andar mais de bicicleta", finaliza a jovem.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Será que é desigual?

"No Brasil, seis grupos controlam 667 estações de rádio e televisão.

"'Das 40 rádios que transmitem da avenida Paulista, somente três estão regulares. Não bastasse isso, apenas 18 são da cidade de São Paulo e outras 22 são de fora. Enquanto isso, dá-lhe perseguição à Heliópolis. E fecha-se a Rádio Guadalupe, em Osasco', ataca (Sérgio Gomes, coordenador do escritório paulista da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc) e diretor da Oboré)."


Fonte: Revista Fórum, dezembro de 2007.
http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=1628

Edição 57 • Dezembro de 2007

Uma entrevista especial com um dos maiores defensores da reforma agrária e da causa indígena no Brasil, Dom Pedro Casaldáliga
Iquique: 100 anos do massacre de operários relegado pela história

Uma Nova Ameaça

Por Saulo Luiz e Maíra Teixeira [Quinta-Feira, 20 de Dezembro de 2007 às 17:30hs]

As associações que possuem rádios comunitárias estão cada vez mais assustadas com um novo problema que surge na sua já conturbada luta pela regularização. O motivo do temor é que a possível adoção do modelo estadunidense de rádio – em estudo pelo governo brasileiro – inviabilize a operação de rádios comunitárias em todo o país e até de algumas pequenas rádios comerciais.
Atualmente, o Ministério das Comunicações estuda dois modelos de rádios digitais, um estadunidense, chamado de In-band on-channel (Iboc), e outro europeu, o Digital Radio Mondiale (DRM). A expectativa é de que até abril de 2008 o governo federal bata o martelo e defina o que ele considera ser o melhor modelo a ser adotado. O Iboc é o preferido das grandes emissoras comerciais, pois é o único que opera na mesma banda e freqüência em AM e FM, já o DRM opera em AM e “ondas tropicais” (OT).
Para as rádios comunitárias, a escolha do padrão estadunidense traria grandes desvantagens, como o preço elevado dos equipamentos necessários. “O custo da digitalização do sistema não sai por menos de R$ 100 mil. Que rádio comunitária tem condições de arcar com isso?”, questiona Ramon Damásio, responsável pelo departamento de jornalismo da rádio Favela FM, um dos mais bem-sucedidos exemplos de rádio comunitária do Brasil, que funciona na maior favela de Belo Horizonte (MG).
Damasio está concluindo um estudo sobre a implantação do sistema digital em Belo Horizonte. O ministro Hélio Costa tem defendido a criação de uma linha de financiamento especial para as rádios comunitárias. Mas somente essa intenção não é suficiente para as emissoras. “Sabemos que tem rádio que não possui nem acesso à internet, quanto mais a linhas de crédito”, destaca.
Outra desvantagem, ressalta Damásio, é que o próprio acesso ao antigo radinho de pilha deve ficar mais caro. “O ‘povão’ não vai ter acesso à rádio digital, pois os receptores digitais também são caríssimos. Enquanto rádios simples podem custar em torno de R$ 5, um receptor digital tem preço médio de R$ 80”, lembra.
Mas a principal preocupação é que, pela legislação brasileira, a potência máxima permitida a uma rádio comunitária é 25 watts. No Iboc, 25 watts equivale à potência dos ruídos, ou seja, as transmissões das rádios comunitárias não seriam ouvidas, pois a potência das comerciais seria infinitamente superior. “As emissoras com potência média ou baixa serão liquidadas. Ao invés de democratizar, vai hiperconcentrar o modelo de rádio”, afirma Sérgio Gomes, coordenador do escritório paulista da Associação Mundial das Rádios Comunitárias (Amarc) e diretor da Oboré. Para Gomes, “o Iboc seria uma tragédia, liquidando qualquer iniciativa de democratização do rádio nas próximas décadas”.

Saulo Luiz e Maíra Teixeira

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=1619

Edição 57 • Dezembro de 2007

Uma entrevista especial com um dos maiores defensores da reforma agrária e da causa indígena no Brasil, Dom Pedro Casaldáliga
Iquique: 100 anos do massacre de operários relegado pela história

Aos Mortos de Iquique

Por Maurício Ayer [Quinta-Feira, 20 de Dezembro de 2007 às 16:37hs]

“Senhoras e senhores
viemos contar
aquilo que a história
não quer recordar”


Assim começa a “cantata popular” Santa María de Iquique, composta por Luis Advis em 1969, que narra um dos fatos mais atrozes de que se tem notícia na história da repressão à luta operária. Foi em dezembro de 1907, em Iquique, cidade portuária do Norte chileno, responsável naquele tempo pelo escoamento da produção de salitre das minas da região.
As empresas salitreiras, basicamente inglesas, manejavam todo o sistema, inclusive comercial. Os trabalhadores não recebiam dinheiro, apenas fichas, que só eram aceitas em lojas, chamadas de pulperías, pertencentes aos patrões, onde eram obrigados a comprar aquilo que necessitavam. Com o tempo, o poder de compra das fichas foi baixando, mas o valor do soldo se mantinha o mesmo. Os operários decidiram se organizar, pedir o fim do sistema das fichas e que o soldo subisse para 18 peniques (os pennies, “centavos” da libra esterlina). Além de melhores condições de segurança no trabalho.
“Falamos de uma atividade de extração de salitre em pleno deserto do Atacama, com temperaturas de 30oC durante o dia e -5oC à noite. Falamos de condições de trabalho do princípio do século XX, quer dizer, mínimas condições de segurança e de higiene, moradias precárias. E um trato econômico muito deficiente”, explica o sociólogo e historiador Bernardo Guerrero, professor na Universidade Arturo Prat de Iquique.
Como os patrões viviam na Inglaterra, não havia quem os ouvisse. Decidiram então ir a Iquique, onde estavam a aristocracia salitreira, o porto, os bancos e a intendência do governo central de Santiago. “Descem caminhando ou de trem – homens, mulheres e crianças –, por 80, 90, 100 quilômetros. E praticamente invadem a cidade. São entre dez e 20 mil operários, numa cidade onde vivem 20 mil habitantes”, retrata Guerrero.

“Os senhores de Iquique tinham pavor;
era pedir demais ver tanto trabalhador.
Na gente dos pampas não se podia confiar,
podiam ser ladrões ou assassinar.
Enquanto isso as casas eram fechadas,
olhavam somente pelas janelas.
O comércio fechou também suas portas
havia que tomar cuidado com tantas bestas.
Melhor juntar todos em algum abrigo,
andando pelas ruas eram um perigo.”

O pânico tomou conta da aristocracia salitreira, e a administração local resolveu concentrar a massa em uma escola, chamada Domingo Santa María, vazia por ser período de férias. Organizou-se um comitê de greve, e líderes como José Brigg e Luis Olea foram negociar com o intendente Carlos Eastman e os salitreiros.
Eastman disse então que iria a Santiago buscar a solução para os conflitos. Era 16 de dezembro. No dia 20, retornou em um navio de guerra, com um destacamento da Marinha e o general Roberto Silva Renard. Os grevistas os receberam no porto com grande festa e aclamações, esperando pela resposta que trariam. Mas naquela noite declara-se estado de sítio, suspendendo-se os direitos civis.


A íntegra dessa matéria está na edição impressa. Reserve com seu jornaleiro!

Maurício Ayer

Folha Online, 03/01/08
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u359786.shtml

03/01/2008 - 04h13

Globo volta a apostar no erotismo barato com "BBB 8"

Publicidade

SÉRGIO RIPARDO
Editor de Ilustrada da Folha Online

A Globo evitou riscos na escalação dos 14 participantes da oitava edição do "Big Brother Brasil", que começa na próxima terça-feira. Com base na divulgação das imagens e dos dados sobre os escolhidos, será, mais uma vez, um programa voltado para o erotismo barato.

Para vender a assinatura do programa na TV fechada, a Net escancara o espírito do reality show: o telespectador terá compactos de cenas de banho, barracos e os melhores closes nos corpos de sarados e gostosas.

Não é de se espantar a repetição do formato. A história da Globo mostra que, em momentos de crise no ibope, a baixaria é a fórmula mais adotada pelo canal para reagir, estimulando aquilo que os comunicólogos chamam de "cultura do grotesco".

Em 2007, a Globo perdeu espaço para a Record, que também não é santa e vive injetando doses de erotismo em sua programação --cenas de sexo e violência enchem, por exemplo, as novelas do canal dos bispos.

A seleção do "BBB 8" descartou os elementos que possam, na visão da Globo, atrapalhar o cenário para o onanismo eletrônico. Nada de gente feia, gorda nem pobre à beira da piscina, lembrando que o Brasil é uma terra de mestiços, assalariados e gente fora dos padrões de estética ditados pela publicidade.

Talvez, o "gênio" e diretor do programa Boninho --aquele que se deixa flagrar em vídeo confessando o esporte de jogar ovos em prostitutas-- merecesse uma resposta contundente do telespectador esclarecido. Desligue a TV.

O Estado de São Paulo, 03/01/08
http://www.estado.com.br/editorias/2008/01/03/pol-1.93.11.20080103.8.1.xml
Aumenta acesso de negros ao ensino, diz UFRJ

Avanço foi maior no fundamental. Mas diferença continua grande nos níveis médio e superior

Fabiana Cimieri, RIO

A desigualdade na educação entre negros e brancos diminuiu ao longo dos últimos dez anos e hoje o acesso dos dois grupos ao ensino fundamental é praticamente igual. Apesar disso ainda persiste um fosso entre eles nos níveis médio e superior. Para atingir o nível de escolaridade atual dos brancos, os negros brasileiros ainda demorariam 17 anos.

Essa é uma das principais conclusões de um estudo sobre o tema que acaba de ser realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Eles verificaram que 2006, de cada dez negros com idade para freqüentar o ensino médio (entre 15 e 17 anos), seis não o faziam; entre os jovens brancos a média era de quatro entre dez.

No ensino superior, a desigualdade também foi significativa, segundo o levantamento da UFRJ: a porcentagem da população branca entre 18 e 24 anos cursando escolas de nível superior era de 30,7%; a de negros era de 12,1%.

O estudo faz parte do 1º Relatório das Desigualdades Raciais no Brasil, do Laboratório de Análises Econômicas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser). A partir da análise de indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no período de 1995 a 2006, eles constataram uma nítida redução das desigualdades no período, especialmente no governo de Fernando Henrique Cardoso.

“Houve uma redução grande da desigualdade nos anos dos governos FHC, mas esse ritmo diminuiu no governo Lula”, disse o economista Marcelo Paixão, coordenador do estudo.

Ele destacou os avanços na cobertura do ensino fundamental. Na faixa entre 7 e 14 anos, quase não há mais diferença entre brancos e negros: 98,8% das crianças brancas e 97,7% das negras estavam na escola em 2006. Em 1995 o porcentual era de 94,6% e 88,2%, respectivamente.

“Os negros são maioria nas escolas públicas, mas têm que pagar uma universidade privada se quiserem continuar os estudos e se formar”, contou Paixão. “Os brancos pagam escolas privadas no ensino fundamental e médio e conseguem a maior parte das vagas das universidades públicas, o que é muito desigual.”