quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Janeiro 09, 2008
Ministério Público visita Providência para ouvir denúncias de abusos da PM e do Exército nesta sexta (11)
Na próxima sexta-feira, 11 de janeiro, o subprocurador de Direitos Humanos do Ministério Público, Leonardo Chaves, irá à comunidade da Providência para ouvir denúncias e propostas da comunidade sobre freqüentes e repetidos abusos cometidos pela Polícia Militar e, mais recentemente, pelo Exército, que ocupa o morro desde dezembro.
Agência Consciência.Net; clique aqui


Conforme a Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência denunciou em diversas ocasiões desde outubro de 2007, o nível de violência policial na favela aumentou muito desde que o capitão Leonardo Zuma assumiu o comando do Gpae local. Gozando aparentemente de algum tipo de apoio político, Zuma chegou a desacatar ordens abertamente e não sofreu qualquer tipo de punição.

Pouco depois veio a inesperada notícia: o Exército ocuparia o morro por pelo menos um ano para garantir polêmicas obras, fruto de um acordo entre o senador Marcelo Crivella e o presidente Lula. Embora os militares estejam lá desde 12 de dezembro, somente na última terça (08/01) as obras realmente começaram.

Como a Associação e moradores denunciaram, por exemplo, ao jornal A Nova Democracia, desde o início da ocupação militar têm sido freqüentes os casos de invasão de domicílios, revistas indiscriminadas (inclusive de crianças) e intimidação. O caso mais recente foi na última sexta, 4 de janeiro, quando garis comunitários tiveram suas roupas rasgadas em revistas do Exército.

Dois jovens baleados por PMs

Ao mesmo tempo, continuam as atrocidades da PM. Na mesma sexta 04, por volta das 18h, uma viatura do 5o BPM com dois PMs entrou no Morro do Pinto (favela vizinha à Providência) e baleou dois jovens. Edson, de 16 anos, morreu na hora com um tiro na nuca (indício claro de execução sumária) Wesley, de 14 anos, foi atingido no abdômen. O tiro perfurou seus intestinos e ele encontra-se internado no hospital Souza Aguiar.

Os policiais não deixaram os moradores socorrer os jovens, colocaram os corpos na viatura e levaram ao hospital. Moradores revoltados seguiram até o Souza Aguiar e fizeram um protesto em frente ao hospital contra essa violência logo no início do ano. Inicialmente a polícia apresentou a versão de sempre, que os jovens foram atingidos numa "troca de tiros", mas já agora dizem que Wesley foi baleado "acidentalmente".

Esses e outros casos serão apresentados ao MP, e serão pedidas garantias de que o Exército respeite os direitos dos moradores durante a longa ocupação planejada. A reunião será às 14h do dia 11 de janeiro e o endereço da Associação é Rua da Gamboa, 21.
Estadao.com.br, 10/01/08
http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid107094,0.htm

Presos ficam dez horas dentro de viatura em delegacia de SP

Delegado teria dito que só receberia os detidos após receber laudo sobre autenticidade de droga apreendida

Andressa Zanandrea - Jornal da Tarde

Tamanho do texto? A A A A

Werther Santana/AE

Detidos ficaram esperando dentro de viatura

Werther Santana/AE

SÃO PAULO - Dois suspeitos de tráfico de drogas ficaram durante dez horas dentro de uma viatura da Polícia Militar até serem levados para dentro do 20º Distrito Policial, da Água Fria, na Zona Norte. O delegado de plantão, Antônio Carlos Diniz, teria dito aos policiais que só receberia os presos após a droga - 19 cápsulas de cocaína - voltar do Instituto de Criminalística (IC), onde passou por perícia.

Luís Carlos Ribeiro Alves, de 24 anos, e um menor de 17 anos, foram detidos por homens da 3ª Companhia do 43º Batalhão por volta das 17 horas de quarta-feira, 9. Após uma denúncia anônima, os policiais foram até a Rua Pedro Vaz Rego, na favela da Vila Albertina, e prenderam a dupla, após constatar o tráfico.

Os dois foram levados, juntamente com a droga, até a delegacia. Os policiais militares, no entanto, teriam sido informados de que não poderiam entregar os presos de imediato à Polícia Civil - só após o laudo de que substância era realmente entorpecente.

A cocaína saiu para o IC por volta das 21h30, e retornou ao DP às 3h15, quando, finalmente, os presos foram retirados da viatura e levados para dentro do distrito. Enquanto isso, a viatura ficou parada em frente à base da Polícia Militar, sob vigia dos PMs, que podiam estar na rua combatendo outros crimes. O delegado foi procurado, mas não quis falar à reportagem para comentar o assunto.

Folha de São Paulo, 10/01/08
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1001200809.htm
Por uma reforma tributária justa

JOÃO PEDRO STEDILE, DEMÉTRIO VALENTINI, JOSÉ ANTÔNIO MORONI e EMIR SADER

Defendemos que o "corte de gastos públicos" incida sobre o superávit primário e o pagamento dos juros da dívida pública

AS CLASSES dominantes fizeram uma articulação e, por meio dos seus parlamentares no Senado, conseguiram derrubar a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Logo depois, aprovaram a continuidade da DRU (Desvinculação de Receitas da União), que permite o desvio de 20% da receita da União. Com isso, recursos podem ser utilizados sem controle para o pagamento de juros, em vez de em investimentos sociais.
A questão fundamental é que a CPMF era um imposto que taxava principalmente os mais ricos -70% da sua arrecadação vinha de grandes empresas e bancos. Além disso, impedia sonegação, fraudes e desvios.
Com a derrota no Senado, o governo federal tomou a iniciativa de aumentar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) e retomou a cobrança do imposto sobre as remessas de lucros para o exterior.
Essas propostas foram acertadas e justas, atingindo sobretudo os bancos, o sistema financeiro e as empresas estrangeiras, apontando para o combate à desigualdade social e para o desenvolvimento nacional.
Mais uma vez, as forças conservadoras se movimentaram e, tendo à frente a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), fizeram uma campanha mentirosa contra as propostas do governo, com suporte da Globo, dos Democratas e do PSDB.
De um lado, mentem quando afirmam que os mais pobres serão afetados por esses impostos e, de outro, escondem que as taxas de juros exorbitantes cobradas pelo sistema financeiro são o maior custo das compras a prazo. Calam-se porque são beneficiados por esse instrumento.
Diante disso, organizações populares e sindicais, intelectuais e religiosos defendemos que o "corte de gastos públicos" exigido pelas classes dominantes incida sobre o superávit primário e o pagamento dos juros da dívida pública, que é a maior despesa do Orçamento da União nos últimos dez anos.
Trata-se de uma transferência de dinheiro do povo para bancos e especuladores. Em 2007, o governo federal gastou R$ 160,3 bilhões em juros, valor correspondente a 6,3% do PIB (Produto Interno Bruto), que representa quatro vezes o investimento nas áreas sociais.
Precisamos de uma verdadeira reforma tributária, que seja eficaz e progressiva, incidindo proporcionalmente à renda e à riqueza. Atualmente, 70% dos impostos são cobrados sobre o consumo e apenas 30% sobre o patrimônio. É preciso diminuir o peso sobre a população e aumentá-lo sobre a riqueza e a renda. Além disso, é fundamental a redução da taxa de juros básica usada como referência para o pagamento dos títulos da dívida pública com grupos financeiros.
Os bancos, por sua vez, deveriam baixar as escandalosas taxas de juros cobradas dos consumidores e das empresas, que inviabilizam o crédito para o crescimento do país.
Poderiam eliminar as taxas de serviços, que rendem por ano R$ 54 bilhões. Outra forma de aumentar a arrecadação sem prejudicar o povo com cortes no Orçamento é acabar com a Lei Kandir, que isenta do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) as exportações agrícolas e primárias, prejudicando inclusive as contas dos Estados.
Por fim, necessitamos de uma política permanente de distribuição de renda e, para isso, será necessário tomar medidas que taxem o patrimônio, a renda e os privilégios dos 10% mais ricos, que se apropriam de 75% da riqueza nacional.
Só dessa forma poderemos aumentar as oportunidades de emprego e renda e, sem reduzir a contratação ou os salários dos servidores, ampliar os serviços públicos de forma eficiente e gratuita para toda a população, especialmente em saúde, educação e seguridade social.
A sociedade brasileira não pode se calar diante das pressões dos setores conservadores e deve se manifestar, utilizando plebiscitos e consultas como exercício do direito constitucional de decisão do povo sobre assuntos tão importantes para a vida de todos e o futuro do país.


JOÃO PEDRO STEDILE, 52, economista, é integrante da direção nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). DOM DEMÉTRIO VALENTINI, 67, bispo de Jales (SP), é membro da Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, da CNBB. JOSÉ ANTÔNIO MORONI, 44, filósofo, é membro do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) e diretor da Abong (Associação Brasileira de ONGs). EMIR SADER, 67, sociólogo e cientista político, é secretário-executivo da Clacso (Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais) e professor da Uerj.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Website do Instituto Pró-Carne é invadido por hackers da Animal Liberation Front no Brasil

O Instituto Pró-Carne é uma entidade fundada por pecuaristas a apoiada pela "Associação de Churrascarias do Estado de São Paulo", foi criada em 2005 com o objetivo de divulgar maciçamente o consumo de carne.

www.procarne. org.br

As imagens publicadas nos links abaixo mostram como estava o website na manhã do dia 3 de janeiro:
www.veddas.org. br/procarne2. jpg
www.veddas.org. br/procarne3. jpg

Quase um dia após a informação sobre a invasão ter começado a circular em comunidades eletrônicas relacionadas ao vegetarianismo e aos direitos animais, o website do Instituto Pró-Carne continua no ar mostrando imagens fortes de animais sendo abatidos e indicando pesquisas que relacionam o consumo de carne à incidência de câncer.

Os banners mostrados no website, que recomendam o consumo de carne até mesmo para o tratamento de doenças, agora contrasta com frases como “Carne: você paga com a sua saúde e nós ficamos com o seu dinheiro! O nosso lema é: quanto mais alienação, melhor!”.

Nota importante: apesar de termos sido referenciados nos links indicados, o VEDDAS declara não ter tido qualquer participação nesta ação. A notícia nos chegou por via de comentários postados em comunidades do orkut e a divulgação do fato tem caráter meramente informativo.

VEDDAS – Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade
www.veddas.org. br
veddas@veddas. org.br

Site do Instituto Pró-Carne sofre invasão de defensores dos animais

Publicidade

da Folha Online

O site do Instituto Pró-Carne foi invadido por piratas virtuais supostamente ligados a instituições de defesa dos direitos animais. A página, que tem o objetivo de enaltecer os benefícios do consumo de carne vermelha, ganhou fotos de animais ensanguentados. Até as 20h desta quinta-feira, o site invadido continuava no ar.

A ação é assinada pela ALF (Animal Liberation Front) Brasil, grupo internacional que se define como "um dos mais ativos organismos para libertação [de animais] existente". Há também um e-mail na assinatura: lobomau55@riseup. net.

Reprodução
Site do Pró-Carne recebeu protesto de defensores dos animais; "recado" dos piratas virtuais remete a reportagens da *Folha Online*
Site do Pró-Carne recebeu protesto de defensores dos animais; "recado" dos piratas virtuais remete a reportagens da Folha Online

No topo da página, há a seguinte mensagem: "Carne: você paga com a sua saúde e nós ficamos com o seu dinheiro! O nosso lema é: quanto mais alienação, melhor!".

Há também menção sobre os supostos riscos relacionados ao consumo de carne, com links para reportagens publicadas pela Folha Online sobre o risco de câncer no intestino e o câncer pulmonar. E um vídeo do YouTube.

Do lado direito da homepage do site, os piratas virtuais colocaram três fotos com gado sendo morto.

Páginas internas também foram invadidas. Em uma delas, chamada de Pró-Carne Informa, eles publicaram um texto em que usam supostas citações de personalidades como Jean-Jacques Rousseau, Charles Darwin, Leonardo da Vinci e Albert Einstein para condenar o consumo de carne.

Procurado pela Folha Online, o presidente do Pró-Carne, Antenor de Amorim Nogueira, disse não ter sido informado do ataque dos piratas virtuais.

Em sua página na internet --em partes que parecem não ter sido invadidas--, o instituto informa ter sido fundado por pecuaristas em 2005 com o objetivo de "alavancar o consumo interno de carne bovina". Também informa que tem a intenção de "desmistificar a carne vermelha como 'vilã' das carnes, enaltecendo as qualidades nutritivas".

A instituição é responsável por uma campanha publicitária que circulou no metrô de São Paulo há alguns meses, que estimulava o consumo de carne vermelha. O slogan era "Coma Carne. É Saborosa, É Saudável, É Natural".

http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/01/04/ult23u864.jhtm
04/01/2008 - 08h15
Freegans reviram lixo em busca de modo de vida alternativo ao capitalismo

Gabriela Sylos
Em São Paulo

Tarde de dezembro em Santo André (SP). Clientes que deixaram para fazer a feira na última hora apertam o passo. Donas de casa pedem desconto porque as frutas já estão levemente amassadas. Feirantes resistem, tentam manter o lucro. Em meio a montanhas de alface e legumes no chão, algo destoa do cenário típico de fim de feira: revirando os restos descartados pelos comerciantes estão jovens que poderiam pagar pelos alimentos. Mas não querem.

Com o saldo da coleta é que será feito o almoço "freegan", promovido pelos integrantes de um grupo de Santo André, região metropolitana de São Paulo. Os freegans são pessoas que buscam estratégias para viver o máximo possível à margem da economia. Isso inclui consumir o mínimo possível de produtos industrializados na tentativa de burlar o sistema capitalista, que eles consideram maléfico à sociedade.

ALMOÇO FREEGAN EM SANTO ANDRÉ
Gabriela
Legumes desperdiçados em uma feira formam "montanha" na calçada
Gabriela Sylos/UOL
Restos da feira são aproveitados para fazer saladas, prato principal e sobremesa
Gabriela Sylos/UOL
No jardim da casa, as ervas daninhas são preservadas e usadas no dia a dia do grupo
VEJA MAIS FOTOS NO ÁLBUM
O termo freegan origina-se da contração das palavras "free" (livre em inglês) e "vegan" -vegetarianos que além de abolir o consumo de carne e tudo o que vier de animais, também não utilizam produtos que tenham sido testados nos mesmos. A idéia do freeganismo é ultrapassar essa ideologia e adotar estratégias alternativas de sobrevivência e convivência.

O reaproveitamento de alimentos desperdiçados é apenas uma das facetas do movimento -do lixo também podem ser retirados roupas e utensílios domésticos. Outros princípios são: cultivar jardins e hortas coletivas para prover o próprio sustento, abusar do que eles chamam de "transporte ecológico" (caminhadas, bicicleta, skate ou caronas em automóveis), e algumas medidas mais radicais como a moradia livre de aluguel e o desemprego voluntário. A cartilha freegan justifica que a moradia é um direito e não um privilégio (eles sugerem que imóveis abandonados sejam ocupados), enquanto trabalhar significa sacrificar a própria liberdade para obedecer ordens de terceiros. Além disso, trabalho é sinônimo de colaboração com o sistema capitalista.

E, afinal, em tese, com a adoção total das medidas propostas, não haveria mais necessidade de depender do dinheiro proveniente do trabalho.

O termo freegan surgiu na década de 90 e floresceu principalmente em países como Estados Unidos, Austrália e Inglaterra, onde os desperdícios são substanciosos. Nos EUA, algumas pessoas já se organizam para percorrer roteiros com lixeiras "rentáveis". Um exemplo é Madeline Nelson, 51, que largou o trabalho para se dedicar a projetos sociais e ao freeganismo e hoje busca a subsistência pelas lixeiras de Nova York. Em entrevista ao "The New York Times" em junho, Madeline disse que "a maioria das pessoas trabalha mais de 40 horas por semana em empregos que elas não gostam para comprar coisas que elas não precisam".

Em Santo André, as pessoas que aplicam princípios do freeganismo em seu dia a dia há cerca de dois anos dificilmente denominam-se como tais. "Não gostamos de rótulos. Eu não sou uma coisa ou outra, sou uma junção de coisas que eu gosto. Daqui um tempo posso largar tudo e mudar", afirma Ellen, 21, que prefere se identificar apenas com o primeiro nome, assim como os outros membros do grupo de Santo André.

A jovem, que ganha dinheiro vendendo livros e camisetas, é vegan e foi uma das pessoas que teve a idéia de oficializar a refeição freegan que acontecia esporadicamente na grande casa mantida pelo grupo. Agora o almoço acontece todas as sextas-feiras. Os produtos são recolhidos na feira que acontece no mesmo dia na rua ao lado.

Interessam a eles aquelas frutas e legumes que para os feirantes e clientes regulares não prestam mais: um tomate um pouco amassado, a banana que soltou do cacho ou a folha de couve desperdiçada em uma montanha de folhas acumuladas atrás de uma barraca. Mas também não precisa ser qualquer folha. "Melhor pegar a mais verde, que tem mais cálcio e pode ajudar na minha dor de dente", ressalta Ellen durante a coleta. Sua mãe tinha uma quitanda e ela lembra-se de ter visto muita coisa boa ser desperdiçada porque estava apenas visualmente danificada. Ellen ainda mora com a família, mas diz que leva uma vida nômade, entre a sede do grupo e a casa de amigos.

Ritual coletivo
Os feirantes têm reações diversas a estes jovens que se misturam às pessoas que buscam comida por dificuldade financeira. "Alguns indicam onde podemos pegar, outros mal respondem", conta Natália, 22, que durante a incursão pedia licença para procurar alimentos entre as sobras. Publicitária formada, ela trabalha com teatro e cinema.

O grupo busca os produtos coletivamente e compartilha os princípios freeganistas, mas algumas diferenças são evidentes. Enquanto Ellen e Natália não comem carne, outros integrantes não seguem o cardápio vegetariano; Natália já terminou o curso superior, mas outros nem pensam em fazer faculdade. Se Guilherme sonha em montar sua comunidade libertária e sair de casa, nem todos do grupo são adeptos da idéia.

Mas as diferenças pouco importam na hora do almoço. Na cozinha, nada de um corta, o outro refoga. Todos fazem tudo ao mesmo tempo. "Para a gente é um ritual", conta Ellen. "Se tivesse menos gente na cozinha ou uma divisão de tarefas, certamente o almoço sairia mais cedo. Mas isso não importa para nós".

Da coleta ao prato sujo na pia, passam-se mais de três horas. E o trabalho não se restringe a descobrir a melhor combinação entre os legumes: durante o preparo, por exemplo, a água terminou e o grupo teve de checar o registro, além de colocar uma escada dentro da cozinha para verificar a caixa d'água.

O exemplo vem de dentro
As atitudes freegans espalham-se pela casa. Além do tradicional almoço, o grupo já organizou "rolês freegans", passeios aos finais de semana que buscam objetos jogados fora, principalmente em caçambas. "Tem uma privada verde linda que foi jogada fora aqui perto", diz Ellen, que sempre gostou de dar uma "espiada" nas caçambas. O grupo tem planos de construir, no quintal da casa, um galpão feito com material encontrado nas ruas. O local é necessário para abrigar e ampliar o que eles chamam de "baú de dádivas" -caixas que ficam na entrada da casa e recebem objetos doados. Quem quiser dá, quem quiser pega.

"Essa casa é uma auto-gestão, um modelo de solidariedade que tentamos transmitir para fora", conta Marina, 16. Os móveis foram doados, a biblioteca com livros e vídeos foi montada aos poucos, o lixo obviamente é reciclado e os restos orgânicos vão para a composteira. Na horta são cultivados temperos e árvores frutíferas que crescem misturados às ervas daninhas, utilizadas ora para curar ferimentos, ora para reforçar a comida.

Ellen considera-se uma estudiosa do assunto. Diz que aprende a cada dia uma nova utilidade para as ervas daninhas. "Por mais que tentemos não consumir, vivemos como parasitas do sistema, aproveitando aquilo que é desperdiçado", diz, "acho que o futuro está em sobreviver com as coisas que a natureza nos dá".

Viver sem os produtos industrializados é mesmo difícil. Ao lado da salada e dos legumes refogados -fruto do desperdício-, estão o óleo de cozinha e o suco de caixinha comprados no mercado.

"A gente sente a pressão. Essa roupa que eu estou usando foi comprada; para chegar aqui eu peguei o trem; os meus pais me cobram que eu faça uma faculdade", assume Ellen, lembrando que o grupo tem que pagar o aluguel da casa e vender cerveja para fechar as contas no final do mês. "Mas eu pretendo continuar estudando as plantas e andar mais de bicicleta", finaliza a jovem.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Será que é desigual?

"No Brasil, seis grupos controlam 667 estações de rádio e televisão.

"'Das 40 rádios que transmitem da avenida Paulista, somente três estão regulares. Não bastasse isso, apenas 18 são da cidade de São Paulo e outras 22 são de fora. Enquanto isso, dá-lhe perseguição à Heliópolis. E fecha-se a Rádio Guadalupe, em Osasco', ataca (Sérgio Gomes, coordenador do escritório paulista da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc) e diretor da Oboré)."


Fonte: Revista Fórum, dezembro de 2007.
http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=1628

Edição 57 • Dezembro de 2007

Uma entrevista especial com um dos maiores defensores da reforma agrária e da causa indígena no Brasil, Dom Pedro Casaldáliga
Iquique: 100 anos do massacre de operários relegado pela história

Uma Nova Ameaça

Por Saulo Luiz e Maíra Teixeira [Quinta-Feira, 20 de Dezembro de 2007 às 17:30hs]

As associações que possuem rádios comunitárias estão cada vez mais assustadas com um novo problema que surge na sua já conturbada luta pela regularização. O motivo do temor é que a possível adoção do modelo estadunidense de rádio – em estudo pelo governo brasileiro – inviabilize a operação de rádios comunitárias em todo o país e até de algumas pequenas rádios comerciais.
Atualmente, o Ministério das Comunicações estuda dois modelos de rádios digitais, um estadunidense, chamado de In-band on-channel (Iboc), e outro europeu, o Digital Radio Mondiale (DRM). A expectativa é de que até abril de 2008 o governo federal bata o martelo e defina o que ele considera ser o melhor modelo a ser adotado. O Iboc é o preferido das grandes emissoras comerciais, pois é o único que opera na mesma banda e freqüência em AM e FM, já o DRM opera em AM e “ondas tropicais” (OT).
Para as rádios comunitárias, a escolha do padrão estadunidense traria grandes desvantagens, como o preço elevado dos equipamentos necessários. “O custo da digitalização do sistema não sai por menos de R$ 100 mil. Que rádio comunitária tem condições de arcar com isso?”, questiona Ramon Damásio, responsável pelo departamento de jornalismo da rádio Favela FM, um dos mais bem-sucedidos exemplos de rádio comunitária do Brasil, que funciona na maior favela de Belo Horizonte (MG).
Damasio está concluindo um estudo sobre a implantação do sistema digital em Belo Horizonte. O ministro Hélio Costa tem defendido a criação de uma linha de financiamento especial para as rádios comunitárias. Mas somente essa intenção não é suficiente para as emissoras. “Sabemos que tem rádio que não possui nem acesso à internet, quanto mais a linhas de crédito”, destaca.
Outra desvantagem, ressalta Damásio, é que o próprio acesso ao antigo radinho de pilha deve ficar mais caro. “O ‘povão’ não vai ter acesso à rádio digital, pois os receptores digitais também são caríssimos. Enquanto rádios simples podem custar em torno de R$ 5, um receptor digital tem preço médio de R$ 80”, lembra.
Mas a principal preocupação é que, pela legislação brasileira, a potência máxima permitida a uma rádio comunitária é 25 watts. No Iboc, 25 watts equivale à potência dos ruídos, ou seja, as transmissões das rádios comunitárias não seriam ouvidas, pois a potência das comerciais seria infinitamente superior. “As emissoras com potência média ou baixa serão liquidadas. Ao invés de democratizar, vai hiperconcentrar o modelo de rádio”, afirma Sérgio Gomes, coordenador do escritório paulista da Associação Mundial das Rádios Comunitárias (Amarc) e diretor da Oboré. Para Gomes, “o Iboc seria uma tragédia, liquidando qualquer iniciativa de democratização do rádio nas próximas décadas”.

Saulo Luiz e Maíra Teixeira

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=1619

Edição 57 • Dezembro de 2007

Uma entrevista especial com um dos maiores defensores da reforma agrária e da causa indígena no Brasil, Dom Pedro Casaldáliga
Iquique: 100 anos do massacre de operários relegado pela história

Aos Mortos de Iquique

Por Maurício Ayer [Quinta-Feira, 20 de Dezembro de 2007 às 16:37hs]

“Senhoras e senhores
viemos contar
aquilo que a história
não quer recordar”


Assim começa a “cantata popular” Santa María de Iquique, composta por Luis Advis em 1969, que narra um dos fatos mais atrozes de que se tem notícia na história da repressão à luta operária. Foi em dezembro de 1907, em Iquique, cidade portuária do Norte chileno, responsável naquele tempo pelo escoamento da produção de salitre das minas da região.
As empresas salitreiras, basicamente inglesas, manejavam todo o sistema, inclusive comercial. Os trabalhadores não recebiam dinheiro, apenas fichas, que só eram aceitas em lojas, chamadas de pulperías, pertencentes aos patrões, onde eram obrigados a comprar aquilo que necessitavam. Com o tempo, o poder de compra das fichas foi baixando, mas o valor do soldo se mantinha o mesmo. Os operários decidiram se organizar, pedir o fim do sistema das fichas e que o soldo subisse para 18 peniques (os pennies, “centavos” da libra esterlina). Além de melhores condições de segurança no trabalho.
“Falamos de uma atividade de extração de salitre em pleno deserto do Atacama, com temperaturas de 30oC durante o dia e -5oC à noite. Falamos de condições de trabalho do princípio do século XX, quer dizer, mínimas condições de segurança e de higiene, moradias precárias. E um trato econômico muito deficiente”, explica o sociólogo e historiador Bernardo Guerrero, professor na Universidade Arturo Prat de Iquique.
Como os patrões viviam na Inglaterra, não havia quem os ouvisse. Decidiram então ir a Iquique, onde estavam a aristocracia salitreira, o porto, os bancos e a intendência do governo central de Santiago. “Descem caminhando ou de trem – homens, mulheres e crianças –, por 80, 90, 100 quilômetros. E praticamente invadem a cidade. São entre dez e 20 mil operários, numa cidade onde vivem 20 mil habitantes”, retrata Guerrero.

“Os senhores de Iquique tinham pavor;
era pedir demais ver tanto trabalhador.
Na gente dos pampas não se podia confiar,
podiam ser ladrões ou assassinar.
Enquanto isso as casas eram fechadas,
olhavam somente pelas janelas.
O comércio fechou também suas portas
havia que tomar cuidado com tantas bestas.
Melhor juntar todos em algum abrigo,
andando pelas ruas eram um perigo.”

O pânico tomou conta da aristocracia salitreira, e a administração local resolveu concentrar a massa em uma escola, chamada Domingo Santa María, vazia por ser período de férias. Organizou-se um comitê de greve, e líderes como José Brigg e Luis Olea foram negociar com o intendente Carlos Eastman e os salitreiros.
Eastman disse então que iria a Santiago buscar a solução para os conflitos. Era 16 de dezembro. No dia 20, retornou em um navio de guerra, com um destacamento da Marinha e o general Roberto Silva Renard. Os grevistas os receberam no porto com grande festa e aclamações, esperando pela resposta que trariam. Mas naquela noite declara-se estado de sítio, suspendendo-se os direitos civis.


A íntegra dessa matéria está na edição impressa. Reserve com seu jornaleiro!

Maurício Ayer

Folha Online, 03/01/08
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u359786.shtml

03/01/2008 - 04h13

Globo volta a apostar no erotismo barato com "BBB 8"

Publicidade

SÉRGIO RIPARDO
Editor de Ilustrada da Folha Online

A Globo evitou riscos na escalação dos 14 participantes da oitava edição do "Big Brother Brasil", que começa na próxima terça-feira. Com base na divulgação das imagens e dos dados sobre os escolhidos, será, mais uma vez, um programa voltado para o erotismo barato.

Para vender a assinatura do programa na TV fechada, a Net escancara o espírito do reality show: o telespectador terá compactos de cenas de banho, barracos e os melhores closes nos corpos de sarados e gostosas.

Não é de se espantar a repetição do formato. A história da Globo mostra que, em momentos de crise no ibope, a baixaria é a fórmula mais adotada pelo canal para reagir, estimulando aquilo que os comunicólogos chamam de "cultura do grotesco".

Em 2007, a Globo perdeu espaço para a Record, que também não é santa e vive injetando doses de erotismo em sua programação --cenas de sexo e violência enchem, por exemplo, as novelas do canal dos bispos.

A seleção do "BBB 8" descartou os elementos que possam, na visão da Globo, atrapalhar o cenário para o onanismo eletrônico. Nada de gente feia, gorda nem pobre à beira da piscina, lembrando que o Brasil é uma terra de mestiços, assalariados e gente fora dos padrões de estética ditados pela publicidade.

Talvez, o "gênio" e diretor do programa Boninho --aquele que se deixa flagrar em vídeo confessando o esporte de jogar ovos em prostitutas-- merecesse uma resposta contundente do telespectador esclarecido. Desligue a TV.

O Estado de São Paulo, 03/01/08
http://www.estado.com.br/editorias/2008/01/03/pol-1.93.11.20080103.8.1.xml
Aumenta acesso de negros ao ensino, diz UFRJ

Avanço foi maior no fundamental. Mas diferença continua grande nos níveis médio e superior

Fabiana Cimieri, RIO

A desigualdade na educação entre negros e brancos diminuiu ao longo dos últimos dez anos e hoje o acesso dos dois grupos ao ensino fundamental é praticamente igual. Apesar disso ainda persiste um fosso entre eles nos níveis médio e superior. Para atingir o nível de escolaridade atual dos brancos, os negros brasileiros ainda demorariam 17 anos.

Essa é uma das principais conclusões de um estudo sobre o tema que acaba de ser realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Eles verificaram que 2006, de cada dez negros com idade para freqüentar o ensino médio (entre 15 e 17 anos), seis não o faziam; entre os jovens brancos a média era de quatro entre dez.

No ensino superior, a desigualdade também foi significativa, segundo o levantamento da UFRJ: a porcentagem da população branca entre 18 e 24 anos cursando escolas de nível superior era de 30,7%; a de negros era de 12,1%.

O estudo faz parte do 1º Relatório das Desigualdades Raciais no Brasil, do Laboratório de Análises Econômicas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser). A partir da análise de indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no período de 1995 a 2006, eles constataram uma nítida redução das desigualdades no período, especialmente no governo de Fernando Henrique Cardoso.

“Houve uma redução grande da desigualdade nos anos dos governos FHC, mas esse ritmo diminuiu no governo Lula”, disse o economista Marcelo Paixão, coordenador do estudo.

Ele destacou os avanços na cobertura do ensino fundamental. Na faixa entre 7 e 14 anos, quase não há mais diferença entre brancos e negros: 98,8% das crianças brancas e 97,7% das negras estavam na escola em 2006. Em 1995 o porcentual era de 94,6% e 88,2%, respectivamente.

“Os negros são maioria nas escolas públicas, mas têm que pagar uma universidade privada se quiserem continuar os estudos e se formar”, contou Paixão. “Os brancos pagam escolas privadas no ensino fundamental e médio e conseguem a maior parte das vagas das universidades públicas, o que é muito desigual.”

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2180281-EI7896,00.html SP: deputado é advertido por show de transformista
O presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp), Vaz de Lima (PSDB), advertiu por escrito o deputado estadual Carlos Gianazzi (Psol), que organizou um evento onde o transformista Nick Perón fez uma performance aos deputados e ficou seminu. A apresentação ocorreu no dia 24 de outubro, no plenário Dom Pedro I da Alesp, durante o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Comunidade Gay.
» Transformista e deputados se reúnem » Transformista se apresenta seminu» vc repórter: mande fotos e notícias
Segundo o documento da presidência da Alesp, é "com a finalidade de prevenir a prática de falta mais grave" que a advertência foi dada. A medida, no entanto, não impede que parlamentares encaminhem uma representação ao conselho de ética da Alesp pedindo punição mais severa.
Vaz de Lima disse que estudou profundamente o caso antes de tomar a decisão. "Vi integralmente a fita do lançamento da Frente Parlamentar; observei as manifestações contra e a favor; vi as matérias de TV, rádio e jornal; e ouvi o transformista também", disse.
Segundo o presidente da Alesp, Nick Perón teria tentado inocentar o deputado ao afirmar que o parlamentar não saberia que ele iria ficar seminu.
Além da advertência, Vaz de Lima recomenda em sua decisão que a comissão de parlamentares encarregada de alterações no Regimento Interno da assembléia e o Grupo Técnico de Estudos apresentem uma proposta para disciplinar e regulamentar as Frentes Parlamentares.
Redação Terra

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Nota de Repúdio

Estudos sobre a "base biológica para a violência em menores infratores": novas máscaras para velhas práticas de extermínio e exclusão.

É com tristeza e preocupação que recebemos a notícia de que Universidades de grande visibilidade na vida acadêmica brasileira estão destinando recursos e investimentos para velhas práticas de exclusão e de extermínio. A notícia de que a PUC-RS e a UFRGS vão realizar estudos e mapeamentos de ressonância magnética no cérebro de 50 adolescentes infratores para analisar aspectos neurológicos que seriam causadores de suas práticas de infração nos remete às mais arcaicas e retrógradas práticas eugenistas do início do século XX.

Privilegiar aspectos biológicos para a compreensão dos atos infracionais dos adolescentes em detrimento de análises que levem em conta os jogos de poder-saber que se constituem na complexa realidade brasileira e que provocam tais fenômenos, é ratificar sob o agasalho da ciência que os adolescentes são o princípio, o meio e o fim do problema, identificando- os seja como "inimigo interno" seja como "perigo biológico", desconhecendo toda a luta pelos direitos das crianças e dos adolescentes, que culminou na aprovação da legislação em vigor - o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Pensar o fenômeno da violência no Brasil de hoje é construir um pensamento complexo, que leve em consideração as Redes que são cada vez mais fragmentadas, o medo do futuro cada vez mais concreto e a ausência de instituições que de fato construam alianças com as populações mais excluídas. É falar da corrupção que produz morte e isolamento e da precariedade das políticas públicas, sejam elas as políticas sociais básicas como educação e saúde, sejam elas as medidas sócio-educativas ou de proteção especial.

Enquanto a Universidade se colocar como um ente externo que apenas fragmenta, analisa e estuda este real, sem entender e analisar suas reais implicações na produção desta realidade, a porta continuará aberta para a disseminação de práticas excludentes, de realidades genocidas, de estudos que mantêm as coisas como estão.

Violência não é apenas o cometimento do ato infracional do adolescente, mas também todas aquelas ações que disseminam perspectivas e práticas que reforçam a exclusão, o medo, a morte.

Triste universidade esta que ainda se mobiliza para este tipo de estudo, esquecendo-se que a Proteção Integral que embasa o ECA compreende a criança e o adolescente não apenas como "sujeito de direitos" mas também como "pessoa em desenvolvimento" - o que por si já é suficiente para não engessar o adolescente em uma identidade qualquer, seja ela de "violento" ou "incorrigível".

A universidade brasileira pode desejar um outro futuro: o de estar à altura de nossas crianças e adolescentes.

Assinam a Nota:

1. Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância - CIESPI;

2. Programa Cidadania e Direitos Humanos da Universidade do Estado do

Rio de Janeiro - PCDH/UERJ;

3. Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de

Psicologia – CNDH/CFP;

4. Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia do

Rio de Janeiro – CDH/CRP-05;

5. Cristina Rauter – Professora da Universidade Federal Fluminense / UFF;

6. Programa Pró-adolescente - Universidade do Estado do Rio de Janeiro/

UERJ;

7. Márcia Badaró – Conselheira do Conselho Regional de Psicologia do

Rio de Janeiro (CRP-05);

8. Anna Paula Uziel – Professora da Universidade do Estado do Rio de

Janeiro/ UERJ.

9. Maria Helena Zamora – Professora da Puc-Rio

10. Marcelo Dalla Vecchia - Professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

Terra, 17/12/07
http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI2159256-EI8143,00.html

Fathi Ja, filho de agente da CIA, faz segurança em campo no meio da selva

Recrutados pela CIA fogem desde a Guerra do Vietnã

Quatro décadas depois que a Agência Central de Inteligência (CIA) norte-americana contratou milhares de guerreiros da selva para combater os comunistas em uma das áreas periféricas da guerra do Vietnã, homens que se declaram veteranos daquela operação clandestina vivem em isolamento, famintos e ainda ocasionalmente perseguidos pelo governo comunista laosiano, que continua a desconfiar dos combatentes que se alinharam com os Estados Unidos.

» Veja mais fotos

"Caso eu me renda, serei punido", disse Xang Yang, 58 anos, um homem musculoso e ainda capaz de galgar agilmente os bambus da selva laosiana. "Eles jamais me perdoarão. Não posso viver fora da selva porque combati pelos Estados Unidos".

Em uma pequena clareira cerca de 15 km a leste do rio Mekong, Yang e quatro outros veteranos sobrevivem de maneira primitiva, com suas mulheres e 50 filhos e netos. O acampamento escondido em que vivem na selva fica a 15 horas de caminhada da mais próxima estrada asfaltada, pelo relevo acidentado das colinas e através de correntezas que na temporada de seca têm profundidade de cerca de meio metro mas se tornam rios caudalosos na época da monção.

Yang disse que seu grupo foi atacado pelo exército laosiano duas vezes, este ano. Em setembro, os soldados mataram um menino de cinco anos, sepultado nos limites do acampamento. Em maio, um ataque ao nascer do dia matou uma mulher e seu filho de dois anos. O grupo transfere seu acampamento a cada duas semanas, a fim de evitar ataques.

Eles normalmente se posicionam a quilômetros de distância das plantações de arroz ou dos vilarejos locais, mas ocasionalmente viajam à noite, armados com seus fuzis AK-47, para conseguir comida junto a fazendeiros amistosos. Eles dizem que obtiveram suas armas e uniformes de soldados laosianos que fugiram depois de um tiroteio com o grupo em 1999.

A operação da CIA, que durou de 1961 a 1975, se tornou conhecida como "a guerra secreta", porque, diferentemente do Vietnã, o envolvimento militar norte-americano no Laos era clandestino. Em lugar de enviar tropas terrestres norte-americanas para impedir uma tomada de controle pelos comunistas, a CIA contratou dezenas de milhares de mercenários, a maioria dos quais da etnia hmong, uma minoria que vive nas montanhas de Laos.

Hoje, o número de veteranos combatentes hmong e suas famílias que continuam ocultos na selva é estimado entre algumas centenas e alguns milhares, de acordo com Amy Archibald, porta-voz da embaixada norte-americana em Vientiane, a capital.

Os problemas que eles enfrentam, embora não muito conhecidos, receberam mais atenção nos últimos, com grupos de defesa dos direitos humanos criticando o governo do Laos por seus ataques aos hmong que colaboraram com os Estados Unidos.

Ainda assim, localizar os veteranos em seus acampamentos é uma tarefa árdua e requer horas de caminhada pela selva. Minha recente visita ao remoto esconderijo de Yang foi a primeira já realizada por um repórter norte-americano, e além de mim apenas cerca de uma dúzia de pessoas já visitaram quaisquer dos campos de veteranos da CIA existentes no Laos.

Os antigos combatentes e seus descendentes claramente receberam a visita com alegria. Quando cheguei ao campo, acompanhado por um fotógrafo, muitos dos membros dos membros do grupo começaram a chorar e a dizer, no idioma lao, "América nos ajude, América, nos ajude".

Os cinco veteranos que vivem no campo têm parentes instalados nos Estados Unidos, e dizem que ainda sonham em se unir a eles. A esperança de Yang é que Washington "volte para ajudar velhos soldados como eu a deixar o Laos e chegar aos Estados Unidos".

"Queremos um lugar para viver na América", disse outro veterano, Va Chang, 60. "Queremos que os norte-americanos nos dêem alimentos e remédios". "Caso eles não desejem nos ajudar como pedimos", ele afirma, "deveriam lançar uma grande bomba sobre nós e pôr fim à nossa miséria".

Os grupos de defesa dos direitos humanos descrevem os combates em sua maioria unilaterais entre os antigos combatentes da CIA, maltrapilhos e mal armados, e o exército laosiano, disposto a desalojá-los de seus refúgios na selva.

Um relatório da Anistia Internacional divulgado em março afirma que tropas do Laos estiveram envolvidas em numerosos ataques contra os veteranos e suas famílias, na região norte do Laos, nos últimos anos, uma avaliação com a qual diplomatas norte-americanos concordam.

¿Consideramos essas informações muito confiáveis, e sabemos que existem abusos de direitos humanos cometidos pelas forças de segurança¿, disse Archibald. ¿Mas não temos como determinar quem disparou a primeira bala¿.

O relatório anual do Departamento de Estado norte-americano sobre os direitos humanos, divulgado em março, menciona os esforços intensificados das forças de segurança para eliminar os bolsões dispersos de combatentes hmong. A pressão do exército laosiano, segundo o relatório, "tem por objetivo causar fome que force as famílias restantes de insurgentes a deixar a selva".

O governo laosiano, talvez preocupado com o efeito que o conflito poderia ter sobre o florescente setor de turismo do país, nega que quaisquer confrontos tenham ocorrido ou que haja veteranos da CIA ainda escondidos.

"Não existem combatentes hmong da CIA na selva", disse Yong Chanthalangsy, porta-voz do Ministério do Exterior laosiano. "Não há confrontos. Como você pode perceber se viajar por nosso país, a atmosfera é de paz". Ele afirmou que Yang e seu grupo eram provavelmente apenas "bandidos".

Foragidos há três décadas, os cinco homens não dispõem de documentos que provem que combateram na guerra. Mas conhecem os nomes-código das pistas de aterrissagem da CIA que protegiam, bem como os nomes de guerra de alguns dos norte-americanos com quem serviram, entre os quais um "Mr. Tony", possivelmente Tony Poe, que comandou as operações da CIA no Laos por algum tempo e morreu em 2003.

Eles ainda trazem estilhaços dos combates em seus corpos, e um dos veteranos, Jangwang Xiong, 57 anos, tem uma perna danificada, devido a um ferimento sofrido em combate contra forças apoiadas pelo Vietnã do Norte, em 1971, ele alega.

A CIA inicialmente contratou os hmong para apoiar o governo do Laos em sua luta contra uma insurgência comunista. Mais tarde, no curso da guerra do Vietnã, os hmong foram instruídos a interceptar comboios de suprimentos na série de caminhos de selva que formavam a chamada "trilha de Ho Chi Minh", que percorria boa parte do território do Laos.

Chang disse que foi instruído a defender o Lima Site 258, uma das pistas de pouso improvisadas nas montanhas que a CIA usava para movimentar suprimentos e homens pelo território laosiano.

O grupo é indigente até mesmo sob os padrões da Indochina rural. A dieta de seus membros consiste essencialmente de mandiocas selvagens colhidas na mata, brotos de bambu e pequenos animais caçados com arcos e flechas. Ocasionalmente, o grupo recebe arroz de aldeões que se dispõem a correr o risco de manter uma associação secreta com eles.

Cercadas por seus filhos e netos, todos aparentando cansaço, os cinco homens parecem mais velhos do que são, e se assemelham pouco, hoje, aos jovens aldeões hmong que conquistaram respeito como combatentes ao longo da guerra.

Colin Thompson, que trabalhou nas operações laosianas da CIA entre 1963 e 1966, lembra os hmong como resistentes e leais.

"Alguns dos combatentes hmong eram extraordinariamente corajosos", disse Thompson em entrevista por telefone, de sua casa em Maryland. "Era mais difícil derrotá-los do que aos outros grupos tribais. Resistiam e protegiam ferozmente o seu território".

O trabalho de Thompson incluía carregar pilhas de dinheiro laosiano para pagar os salários dos soldados hmong. Ele lamenta a situação dos combatentes que restantes, mas afirma que Washington não deveria sentir a obrigação de trazê-los aos Estados Unidos. Essa não é a opinião dos hmong, muitos dos quais se sentiram atraiçoados pelos norte-americanos quando a guerra terminou.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

sábado, 15 de dezembro de 2007

http://pt.wikipedia.org/wiki/Papai_Noel#O_mito_da_Coca-Cola

O mito da Coca-Cola

É amplamente divulgado pela Internet e por outros meios que a Coca-Cola seria a responsável pelo atual visual do Papai Noel (roupas vermelhas com detalhes em branco e cinto preto),e esta informação procede. Até o final do século XIX, papai Noel era representado com roupas de inverno, porém na cor marrom. Em 1881 a Coca-cola realizou uma grande campanha publicitária vestindo Papai Noel com as cores vermelha e branca (como as de seu rótulo) e acrescentou-lhe um barrete vermelho adornado por um pom-pom branco. Tal campanha fez um enorme sucesso e a nova imagem de Papai Noel espalhou-se rapidamente pelo mundo.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Conselho Indigenista Missionário, 13/12/07
http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=2940&eid=274
13/12/2007 - 18:42 - Informe nº 796: Justiça determina suspensão das obras da transposição, mas trabalhos continuam

No dia 10 de dezembro, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) concedeu liminar para suspender as obras do Projeto de Transposição do Rio São Francisco. Ontem (12/12), o Ministério da Defesa (MD) foi informado da decisão, apesar disso o Exército segue trabalhando no canteiro de obras em Pernambuco.

Segundo a liminar, o projeto não poderia ter sido aprovado pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos antes de análises do comitê de bacia hidrográfica do Rio São Francisco. Além disso, há diversas ações sobre a validade do estudo de impacto ambiental que ainda aguardam julgamento no Supremo Tribunal Federal.

A postura do governo, de não respeitar a decisão judicial, deixou o Bispo de Barra, Dom Luiz Cappio, muito preocupado. Ele também se preocupa com o aumento da presença do Exército no canteiro de obras. Três tanques foram enviados ao lugar. Dom Cappio está hoje (13/12) no 17º dia de jejum em protesto contra a transposição.

Ontem, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Lyrio Rocha e o Secretário Geral da entidade, Dom Dimas Barbosa, pediram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais discussão sobre o projeto da transposição das águas do rio São Francisco. Na reunião, com os bispos, Lula disse que não suspenderá o projeto.

Atos em todo o país

A ação de Dom Luiz Cappio está recebendo apoio de todos os setores sociais. Continuam os jejuns e atos em defesa do rio São Francisco e do povo nordestino, ameaçado pela transposição.

Hoje, o teólogo Leonardo Boff divulgou um manifesto, dizendo que o projeto é “faraônico, não é democrático, porque não democratiza o acesso à água para as pessoas que passam sede na região semi-árida, distante ou perto do rio São Francisco.”

O texto fala das alternativas: “O projeto oficial custaria mais de 6 bilhões de reais, atenderia apenas a quatro Estados (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará) beneficiando 12 milhões de pessoas de 391 municípios. Um projeto alternativo elaborado pela Agência Nacional das Aguas (ANA) e o Atlas do Nordeste custaria pouco mais de 3 bilhões de reais, atingindo nove estados (Bahia, Sergipe, Piauí, Alagoas, Pernambuco, Rio do Norte, Paraíba, Ceará e Norte de Minas), beneficiando 34 milhões de pessoas de 1356 municípios.”

***

Tarso declara três terras indígenas e ouve denúncia sobre criminalização das lideranças

Na abertura da reunião da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), o Ministro da Justiça, Tarso Genro, assinou a declaração de três terras como indígenas. Ele também ouviu as denúncias sobre os problemas que afetam os povos, como a perseguição e prisão de lideranças do povo Xukuru em Pernambuco.

As terras declaradas pelo ministro são Monte-mór (do povo Potiguara, na Paraíba), Batelão (dos Kayabi, no Mato Grosso) e Porto Limoeiro (dos Tikuna, no Amazonas). Antônio Gomes (Caboquinho Potiguara) afirmou que a declaração é um alívio para 15 mil potiguaras. “Nossa luta não é de 20, 30 anos. É uma luta desde a colonização. Nossas terras foram tomadas por empresas, plantações de cana... Agradeço a todos os povos do país que lutam pela terra”, declarou emocionado Caboquinho.

Após o anúncio, Tarso Genro ouviu as denúncias das lideranças, entre elas a da prisão Agnaldo Gomes, do povo Xukuru, preso no último dia 11. Agnaldo e Rinaldo Vieira (preso em outubro) são acusados de envolvimento no assassinado de um indígena. A investigação da Polícia Federal tem sido questionada por diversas entidades e políticos.

O deputado estadual Isaltino Nascimento (PT/PE) e o deputado federal Maurício Randes (PT/PE) foram à reunião e, junto com o Ministério da Justiça e acompanhamento da CNPI, vão buscar uma solução para esta questão. “Há muito tempo tentam criminalizar o povo Xukuru. Pessoas da Polícia Federal no estado têm relações com políticos que exerceram cargos importantes e tinham interesses nas terras do povo.”, disse Nascimento. Ele acredita que é necessário substituir o Delegado Marcos Cotrim, responsável pelo processo, pois a advogada de uma das partes é advogada de Cotrim num processo em outro estado.

Governo x CNPI

O Ministro também recebeu um documento onde a bancada indígena da CNPI questiona ações do Governo que desrespeitam a Comissão, como a publicação da Portaria 2656, sobre os recursos repassados aos municípios para tratarem da saúde indígena. Esta portaria não foi discutida pela CNPI. O documento também critica a criação de uma comissão na Câmara Federal para discutir projetos de lei sobre mineração em terras indígenas, quando a CNPI havia acordado que esta regulamentação seria feita dentro do Estatuto dos Povos Indígenas.

O texto também lembra que apesar de algumas ações do governo, ainda há muito a se fazer. Os indígenas pediram a efetiva desintrusão da terra Raposa Serra do Sol, em Roraima, e atenção aos povos do Mato Grosso do Sul, onde há um alto número de assassinatos. A reunião da CNPI termina amanhã (14/12).

Brasília, 13 de dezembro de 2007

www.cimi.org.br

Conselho Indigenista Missionário

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

hipocrisia ...

Folha de São Paulo, 23/11/07
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2311200727.htm
Governo exclui preservativo de ato contra a Aids no Cristo

Evento, que será no dia 1º, terá presença de Lula e conta com o apoio da Igreja

Para ONGs, proibição de distribuir e mencionar preservativo partiu da Igreja, que diz que decisão foi tomada junto com ministério

Moacyr Lopes Junior - 6.jul.2007/Folha Imagem
Cristo Redentor sediará celebração oficial do Dia contra Aids


CLÁUDIA COLLUCCI
DA REPORTAGEM LOCAL

A distribuição de preservativos e a menção deles como forma de prevenir a Aids foram vetados da comemoração oficial do Dia Mundial de Luta contra a Aids que ocorre no Cristo Redentor, no dia 1º, com presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde, José Gomes Temporão.
O programa brasileiro de combate à Aids é pioneiro entre os países emergentes e um dos mais respeitados do mundo.
Segundo o Fórum Estadual de ONGs e Aids do Rio, o veto foi uma exigência da Curia Metropolitana do Rio para liberar o santuário para o evento. A Igreja alega que a decisão de não se falar ou distribuir preservativos não foi imposta, mas sim tomada em comum acordo com o Programa DST Aids, do Ministério da Saúde.
O ministério, por sua vez, diz que a questão do preservativo nem chegou a ser discutida com a Igreja porque o evento no Cristo será multi-religioso, focado na solidariedade aos pacientes que vivem com Aids, e não na prevenção da doença.
Para o fórum, que representa 120 organizações de apoio às vítimas da Aids, o fato de o ministério acatar a decisão da Igreja representa um retrocesso na luta contra a Aids. "A Igreja já fez outras imposições e agora vem mais esta: libera o Cristo Redentor, mas não pode ter nenhuma associação à camisinha. Isso é um contra-senso", afirma Roberto Pereira, um dos coordenadores do fórum.
Para ele, a escolha do Cristo foi acertada, especialmente neste ano em que a estátua foi eleita uma das sete maravilhas do mundo. "Mas [o ministério] submeter-se à pressão da Igreja, para nós, é um retrocesso. Solidariedade é superimportante, mas solidariedade sem camisinha, com o perdão do trocadilho, é uma furada."
O bispo auxiliar do Rio, dom Antonio Augusto Dias Duarte, afirma que, desde o início, a Arquidiocese do Rio decidiu apoiar o evento no Cristo por se tratar de um "dia de defesa dos direitos dos doentes da Aids", e não para falar de prevenção. "A Igreja não impôs nada."
Ele afirma que sua oposição ao uso da camisinha como prevenção da Aids é amparada mais em evidência científica do que nos preceitos morais difundidos pela Igreja. Médico, o bispo questiona a eficácia do preservativo devido à suposta alta taxa de falibilidade por mau uso e defeitos de fábrica.
"30% das mulheres engravidam usando camisinha. Você entraria em um avião que tivesse 30% de chances de cair?"
Diversos estudos confirmam a eficiência do preservativo na prevenção da Aids e de outras DSTs. Em um deles, da Universidade de Wisconsin (EUA), demonstrou-se que o uso correto e sistemático de preservativos em todas as relações sexuais apresenta uma eficácia entre 90 e 95% na prevenção do HIV.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2311200709.htm
Sauditas punem mulher estuprada

Jovem de 18 anos violentada por sete homens é condenada a seis meses de detenção e 200 chibatadas

Juízes censuraram encontro da vítima desacompanhada com homem em shopping; lei islâmica local adota segregação entre os sexos

DA REDAÇÃO

O local é Qatif, Arábia Saudita. O crime, o estupro de uma adolescente de 18 anos por sete homens há cerca de um ano e meio. O que despertou reações mundiais nos últimos dias, porém, é o resultado: a vítima foi condenada na semana passada por uma corte a seis meses de prisão e 200 chibatadas.
"Para o tribunal, [o estupro] foi culpa da garota e não teria acontecido se ela não tivesse ido se encontrar com um homem que não é seu parente", disse o advogado de defesa do caso, Abdulrahman al Lahim, ao jornal "Arab News".
O calvário da garota de Qatif, como a vítima ficou conhecida, começou em 2006, ao se encontrar com um conhecido em um shopping local. Segundo seu advogado, ela estava noiva e quis recuperar fotos antigas, "não comprometedoras", com o homem. No local, ambos foram seqüestrados por um grupo de sete homens e sofreram repetidos abusos. Ela conta que foi estuprada 14 vezes.
Em outubro de 2006, o caso foi levado a julgamento. Os sete acusados receberam sentenças de no máximo cinco anos de prisão -o que é considerado leve, já que o estupro pode ser punido com a morte na Arábia Saudita.
Segundo o ministro da Justiça do país, citado pelo jornal "Kwait Times", os sete não foram condenados à morte por "falta de testemunhas" e "ausência de confissões". Mas o tribunal não parou por aí: censurando a reunião sem supervisão entre as vítimas, eles foram condenados a 90 chibatadas.
A Arábia Saudita tem um sistema de cortes religiosas que seguem a lei islâmica (sharia), um código que não está escrito. Em muitos crimes, como estupro, as sentenças dependem da interpretação do juiz.
A garota recorreu e, mais de um ano depois, conseguiu que a pena dos estupradores fosse elevada para entre dois e nove anos de prisão. De novo, porém, ela própria foi punida: a corte mudou na última semana sua sentença para 200 chibatadas e seis meses de prisão.
Uma fonte da corte citada pelo "Arab News" afirmou que os juízes se irritaram pela tentativa da garota de "influenciar o Judiciário por meio da mídia". Antes da apelação, ela, seu marido e seu advogado buscaram apoio da imprensa para tentar reverter o castigo. O advogado de defesa, segundo Al Lahim afirmou à CNN, teve a licença profissional foi cassada.
Nesta semana, os pré-candidatos à Presidência dos Estados Unidos Hillary Clinton, John Edwards e Joe Biden fizeram apelos pela reversão da sentença e criticaram o silêncio do governo americano. Apesar de dizer que o resultado do julgamento foi uma "surpresa", a Casa Branca não condenou explicitamente os sauditas, aliados que são os maiores exportadores de petróleo do mundo.
Grupos de direitos humanos, como o Human Rights Watch, também protestaram.

Dubai
A Justiça saudita não é a única a causar controvérsia recente no Ocidente com uma decisão sobre um crime sexual : nos Emirados Árabes Unidos, tidos como exemplo de modernidade no Oriente Médio, o caso de um adolescente francês de 15 anos violentado por três homens no banco de trás de um carro também virou manchete internacional.
A vítima, Alexandre Robert, sua família e diplomatas franceses dizem que, além de desencorajarem uma queixa, as autoridades de Dubai levantaram a possibilidade de processar o jovem por "atividade homossexual criminosa". Robert também levou meses para ser informado de que um de seus agressores é portador do HIV.
O país classifica a violação de homens como "homossexualidade forçada", geralmente punida com prisão por até dois anos, segundo o "New York Times". Robert ainda fará testes para excluir a contaminação por HIV. Ele deixou Dubai. O caso será julgado e, segundo a promotoria local, os dois acusados adultos poderão ser executados. O terceiro, adolescente, enfrenta uma corte juvenil.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

BIZARRO!

http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/zapping/ult3954u347533.shtml
22/11/2007

Com baixa audiência, Ana Maria Braga faz dança sensual na Globo


da Folha Online

Divulgação
Com baixa audiência do "Mais Você", Ana Maria Braga faz dança sensual na Globo
Com baixa audiência do "Mais Você", Ana Maria Braga faz dança sensual na Globo

A loira levou ao "Mais Você", na quarta-feira (21) de manhã, uma professora para dar aula de pole dance, aquela dança que Flávia Alessandra faz na boate de striptease, em "Duas Caras". Depois de mostrar imagens da atriz na novela, Ana Maria Braga pegou na barra e começou a dançar. Não deu resultado em audiência. A Globo teve cinco pontos contra oito do "Hoje em Dia", da Record, segundo a prévia do Ibope. A derrota para a Record é freqüente. Ela tem perdido também para o "Fala Brasil".

terça-feira, 20 de novembro de 2007

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2087821-EI5030,00.html

Terça, 20 de novembro de 2007, 13h11 Atualizada às 13h30

OAB: deixar menina com 20 presos é intolerável

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, disse hoje que a prisão de uma menina de 15 anos em uma cela na cadeia de Abaetetuba, no interior do Pará, juntamente com 20 homens e por vários dias é "hediondo e intolerável". Segundo o Conselho Tutelar do município e membros da comissão de direitos humanos da OAB do Pará, a menor de idade foi, inclusive, estuprada durante o tempo em que permaneceu no local. A polícia justificou a apreensão da jovem suspeita de furto por um mês dizendo que ela não teria documento de identidade.

» Conselho: jovem presa foi violentada
» PA: jovem fica presa com 20 homens

"É algo impensável no mundo moderno, além de um grave ataque ao sistema constitucional brasileiro", afirmou Britto que pretende levar o tema para discussão na Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB.

"O episódio é gravíssimo por três razões: primeiro, por não se reconhecer no Brasil os direitos das crianças e adolescentes, o tratamento especial que elas devem receber do Estado, que não pode tratá-las como se fossem marginais", criticou Britto. Para ele, em segundo lugar, o caso da menina, descoberta em uma diligência da Comissão de Direitos Humanos da OAB do Pará, constitui "grave descaso que se tem com as mulheres brasileiras, ainda vítimas do preconceito".

Ele também observou que o episódio demonstra ainda o descaso das autoridades brasileiras no que se refere ao sistema penitenciário - o que já foi apontado até mesmo por relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU).

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/blog/default.asp#1462
(19/11/2007 23:13)
A tréplica que o principal biógrafo de Che Guevara, Jon Lee Anderson, segundo a própria Veja, encaminha para responder àquela cartinha arrogante de Diogo Schelp é de lascar. Se eu fosse o tal Dioguito (aliás, Veja anda bem de Diogos), pedia para ir ao banheiro e sumia por um bom tempo.

Não que Anderson diga alguma novidade, mas porque repete tudo o que estamos acostumados a dizer quase todas as semanas – e que Veja atribui a um certo esquerdismo tupiniquim. Dane-se o que Veja pensa. Eu, por exemplo, leio vários jornais estrangeiros de direita pela internet e quando posso compro uma The Economist, a principal revista do neoliberalismo.

Eles são de direita, e daí? Mas trabalham com informação. A interpretação faço a minha. E, em geral, descarto a deles. Se desse para fazer o mesmo com o panfleto dos Civita, entenderia. Revista também é (e muito) opinião e interpretação. E para isso ela precisa ter lado.

O problema é que Veja não é há tempos produto jornalístico. Virou um laboratório de invenções com uns cientistas-jornalistas pretensiosos e gananciosos que fazem qualquer coisa para assinar uma matéria de capa. Esse é o problema. E Anderson é tão arrasador nisso (citando que entrevistados Veja escolheu, como manipulou a história etc) que, repito, se fosse o tal Dieguito (Schelp) pedia pra ir tomar ir ao banheiro. E pulava a janela para não ter de voltar pela porta. Leia a tréplica abaixo e se quiser ver o resto da polêmica, consulte os posts anteriores.

Prezado Diogo Schelp, agradeço pelo sua “gentil” resposta. (Soube que você é de fato uma pessoa muito “gentileza”; você mesmo o disse duas vezes em suas mensagens – claro que isso é uma ironia de Anderson com o inglês preciso do editor de internacional de Veja). Só agora percebo, o mal-entendido entre nós nasceu exclusivamente por conta de meu caráter profundamente falho. Eu jamais deveria ter presumido que você recebera meu e-mail inicial em resposta ao seu ou minha segunda mensagem a respeito de sua reportagem. Muito menos deveria ter considerado que você pudesse ter decidido ignorá-los. É evidente que você tem um sistema de bloqueio de spams muito rigoroso. Uma dica técnica: talvez devesse configurar seu sistema como “moderado” e não “extremo”. Se o fizer, talvez comece a receber seus e-mails sem quaisquer problemas. Lembre-se, Diogo: moderado, não “extremo”. Esta é a chave.

Você me acusa de ser antiético, um “mau jornalista”. Questiona até se posso ser chamado de jornalista. Nossa, você TEM raiva, não tem?

Enquanto tento parar as gargalhadas, me permita dizer que, vindo de você, é elogio. Permita, também, recapitular por um momento a metodologia utilizada por você para distorcer as informações que o público de Veja recebeu:

Você publicou na capa e na reportagem uma grande quantidade de fotografias de Che, aproveitando-se assim da popularidade da imagem de Guevara para vender mais cópias de sua revista. Para preencher seu texto, você pinçou uma certa quantidade de referências previamente escritas sobre ele – incluindo a minha – para sustentar sua tese particular, qual seja, a de que o heroismo de Che não passa de uma construção marxista, como sugere seu título: “Che, a farsa do herói”.

Para chegar a uma conclusão assim arrasa-quarteirão, você também entrevistou, pelas minhas contas, sete pessoas. Uma delas era um antigo oponente de Che dos tempos da Bolívia. As outras seis, exilados cubanos anti-castristas, incluindo ex-prisioneiros políticos e veteranos de várias campanhas paramilitares para derrubar Fidel. (Um destes, o professor Jaime Suchlicki, você não informou a seus leitores, é pago pelo governo dos EUA para dirigir o assim chamado Projeto de Transição Cubana.) Percebi também que você prestou particular atenção no testemunho de Felix Rodriguez, ex-agente da CIA responsável pela operação que culminou na execução de Che. O fato de que você o destaca quer dizer que você o considera sua melhor testemunha? Ou terá sido porque ele foi o único que algum repórter realmente entrevistou pessoalmente? Com os outros, parece, Veja só falou por telefone. Mas como são rigorosos os critérios de reportagem de Veja!

Como disse em minha “carta aberta” a você, escrever uma reportagem deste tipo usando este tipo de fonte é o equivalente a escrever um perfil de George W. Bush citando Mahmoud Ahmadinejad e Hugo Chávez. Em outras palavras, não é algo que deva ser levado a sério. É um exercício curioso, dá para fazer piada, mas NÃO é jornalismo. Dizer a seus leitores, como você diz na abertura da reportagem, que “Veja conversou com historiadores, biógrafos, ex-companheiros de Che no governo cubano” passa a impressão de que você de fato fez o dever de casa, que estava oferecendo aos leitores um trabalho jornalístico bem apurado, que apresentaria algo novo. Infelizmente, a maior parte do que você escreveu é mera propaganda, um requentado de coisas que vêm sendo ditas e reditas, sem muitas provas, pela turma de oposição a Fidel em Miami nos últimos quarenta e tantos anos.

Minha questão não é política. Escrevi um livro, como você mesmo disse, que é “a mais completa biografia” de Che. Há muito lá que pode ser utilizado para criticar Che, mas também há muitos aspectos a respeito de sua vida e personalidade que muitos consideram admiráveis. Em outras palavras, é um retrato por inteiro. Como sempre disse, escrevi a biografia para servir de antídoto aos inúmeros exercícios de propaganda que soterraram o verdadeiro Che numa pilha de hagiografias e demonizações, caso de seu texto.

Não cometa o erro de me acusar de defender Che porque critico você. Serei claro: a questão aqui não é Che, é a qualidade do seu jornalismo. Sua reportagem, no fim das contas, é simplesmente ruim e me choca vê-la nas páginas de uma revista louvável como Veja (não, Anderson, Veja não tem nada de louvável. Talvez você precise lê-la um pouco mais). Seus leitores merecem mais do que isso e, se aparecerei ou não novamente nas páginas da revista enquanto você estiver por aí, não me preocupa. O que PREOCUPA é que, com tantos jornalistas brilhantes como há no Brasil, foi a você que Veja escolheu para ser “editor de internacional”.

Cordialmente,

Jon Lee Anderson.

http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14719&boletim_id=380&componente_id=7073

COMPLEXO DO ALEMÃO

Ocupação completa 6 meses; política de segurança é criticada

Parlamentares, entidades de defesa dos direitos humanos e relator da ONU condenam política de segurança do Governo do Rio de Janeiro. Polícia volta a entrar no Complexo do Alemão e confronto deixa seis feridos.

RIO DE JANEIRO – Seis meses após seu início, a ocupação do Complexo do Alemão pela polícia do Rio de Janeiro ainda não apresentou qualquer resultado diferente dos confrontos e mortes comuns a operações desse tipo. Apesar do entusiasmo do governo estadual com a ação policial e do suposto apoio da opinião pública (turbinado pelo clima “tropa de elite” que acomete a classe média carioca), a ocupação do entorno do conjunto de favelas habitado por quase 200 mil habitantes vem sendo novamente muito criticada por parlamentares, entidades de defesa dos direitos humanos e até mesmo pela ONU.

Até mesmo a estratégia militar de ocupação do Complexo do Alemão já está sendo questionada, pois o tráfico de drogas não somente continua existindo na região como seus principais integrantes já deram mostras de sua capacidade de deslocamento para favelas vizinhas. Além disso, a longa convivência entre policiais e traficantes provocada pelo cerco aos acessos das favelas já começaria a produzir efeitos perversos: segundo denúncia investigada pela Polícia Federal, policiais da Força Nacional de Segurança (FNS) teriam recebido dinheiro de traficantes para permitir a entrada de armas e drogas no complexo.

Tratado com mal-disfarçada hostilidade pelas autoridades de segurança pública em sua passagem pelo Rio de Janeiro - o governador Sérgio Cabral Filho sequer o recebeu - o relator especial da ONU para casos de execuções sumárias, arbitrárias e extrajudiciais, Philip Alston, tratou a ocupação do Complexo do Alemão como o mais grave ponto do parecer que apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à imprensa na semana passada. O australiano já avisou que as denúncias sobre as prováveis execuções ocorridas durante uma invasão do complexo no dia 27 de junho, que resultou em 19 mortes, ocuparão boa parte do relatório que encaminhará ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

As críticas de Alston à política de segurança do Governo do Rio não se limitaram à ocupação do Complexo do Alemão. O relator da ONU também se disse impressionado com o número de casos de morte em conflito com policiais, conhecidos como autos de resistência, no Estado. De acordo com os dados fornecidos pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), este ano foram registrados 1.072 autos de resistência até o fim de outubro, o que representa um aumento de 20% em relação ao mesmo período no ano passado (894 mortos). Este é o segundo maior número de autos de resistência desde 1998, quando as estatísticas da criminalidade no Estado começaram a ser divulgadas pelo governo.

Membro da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) chama a atenção para o fato de que o aumento da ocorrência de autos de resistência no atual governo vem acompanhado do aumento do número de furtos e de roubos e da diminuição das quantidades de drogas e armas apreendidas pela polícia: “Esses números, apresentados pelo próprio governo, representam uma grande falta de eficiência e mostram que a lógica da atual política de segurança não se sustenta”, diz.

O deputado, que esteve com Philip Alston no Rio, lamentou que Sérgio Cabral Filho não tenha recebido o relator especial da ONU: “O governador se mostrou muito despreparado, não teve um comportamento democrático nem observou as regras institucionais de convivência com uma organização independente. Todas as polícias do mundo que melhoraram, o fizeram depois de aceitar algum tipo de ajuda externa”, disse Freixo, citando os exemplos da Irlanda e da Colômbia.

Confrontos periódicos
Para Sandra Carvalho, da ONG Justiça Global, a visita de Alston foi importante pelo contato direto que o australiano teve com moradores e parentes de vítimas do Complexo do Alemão: “Isso fez com que ele formasse uma opinião sobre o caso muito parecida com a desenvolvida pelas organizações de direitos humanos”, diz. Ela também é crítica feroz da política de segurança levada a cabo pelo governo estadual: “Não traz nenhum benefício, nenhum resultado positivo. O que traz são as mortes, que servem como critério de eficiência apenas para o próprio governo”.

Alheia às críticas que vem recebendo, a polícia continua investindo periodicamente no Complexo do Alemão. Na manhã de sexta-feira (16), cerca de trinta homens do 16º Batalhão da Polícia Militar (Olaria) invadiram a Vila Cruzeiro - mesma favela onde ocorreu o confronto de junho - para checar uma denúncia de que quatro líderes do tráfico local estariam reunidos em uma casa. O resultado foi um confronto entre armamentos pesados que durou mais de quatro horas e levou pânico aos moradores. Ao final, seis moradores foram feridos à bala, sem maior gravidade. Nenhum traficante foi preso.

Estratégia equivocada?
A estratégia de ocupação do complexo, que prioriza o “bloqueio” das principais vias de acesso às favelas, já é questionada abertamente dentro da própria polícia. A grande extensão da área a ser vigiada e a proximidade com outras favelas não ocupadas, como o Morro da Baiana ou o Morro do Adeus, facilita o deslocamento dos traficantes. A maior parte do arsenal do grupo que controla o Alemão já teria se deslocado, e a prova disso, segundo alguns policiais, seria a recente morte do policial Eduardo Henrique de Mattos, alvejado com um tiro de fuzil quando sobrevoava o Morro do Adeus em um helicóptero da Polícia Civil: “Ocupar o Alemão sem ocupar também o Adeus seria suicídio”, resumiu o delegado Rodrigo Oliveira, titular da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

O bloqueio policial de seis meses não parece impedir que as armas e as drogas continuem entrando nas 16 favelas que compõem o Complexo do Alemão. Uma das possíveis causas dessa deficiência foi apontada em um relatório elaborado no fim do mês passado pelo setor de inteligência da Polícia Federal. O documento denuncia que agentes da Força Nacional de Segurança (FSN) teriam recebido propina individual de R$ 500 para facilitar a entrada de drogas e armas no complexo, além do transporte destas para o Morro do Adeus no dia 23 de outubro. A direção da PF e o comando da FNS ainda não se manifestaram sobre o relatório.