7 de Abril de 2008 - 17h39 - Última modificação em 7 de Abril de 2008 - 17h39
segunda-feira, 7 de abril de 2008
terça-feira, 1 de abril de 2008
http://www.agenciachasque.com.br/boletinsaudio2.php?idtitulo=59c9ad9e30c7fd1856ec1c83e1a1d626
28/03/2008 18:03
Professor aponta falhas em relatório da Votorantim
Reportagem: Patrícia Benvenuti | duração: 2'44" | tamanho: 482 Kb
Porto Alegre (RS) - O Ministério Público Estadual de Pelotas e o Ministério Público Federal de Rio Grande investigam irregularidades no Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) da Votorantim Celulose e Papel para o plantio de eucalipto no Rio Grande do Sul. O pedido de investigação foi feito pelo professor da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), Althen Teixeira Filho, que acusa a empresa de utilizar, sem autorização, o logotipo da Ufpel e da Fundação Universidade Federal de Rio Grande (Furg) nas páginas do relatório.
Entre os documentos encaminhados ao Ministério Público pelo professor estão um ofício do reitor da UFpel, Antonio César Gonçalves Borges, que desautoriza o uso do logotipo da instituição no EIA-Rima. A Universidade e a Ufpel haviam estabelecido um convênio a fim de estudar a implantação de uma fábrica no Estado. No entanto, a Universidade decidiu romper a parceria em função de uma cláusula, que determinava que a seleção e a publicação dos dados ficariam a cargo da Votorantim. Segundo Teixeira, esses termos são inconstitucionais, já que subordinam os resultados da pesquisa à aprovação da empresa.
“Esses estudos eles estavam sujeitos também a ser publicados somente com aquilo que a Votorantim permitisse. Então, esses dados todos que ela diz que auferiu, que conseguiu e que colecionou, não tem justificativa, porque só foi publicado o que a Vorotantim quis”, diz.
Teixeira também explica que a Votorantim não poderia ter usado no Eia-Rima os dados da pesquisa que fez junto com a Fundação de Apoio da Ufpel, a Fundação Delfim Mendes da Silveira. Isso porque, nas cláusulas, não está especificado que o objetivo das pesquisas é a elaboração de um Estudo de Impacto Ambiental.
Além do logotipo da Ufpel, o relatório da empresa conta com o logotipo da Fundação Universidade Federal de Rio Grande. No entanto, a Furg não participou de estudos para a implantação das áreas de plantio de eucalipto, apenas para a implantação da fábrica de celulose. Teixeira lembra que, recentemente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emprestou R$ 39,2 mi para financiamento de pesquisas da Votorantim. Na avaliação do professor, as empresas buscam a Universidade não para realizar estudos em conjunto, mas para utilizar o nome da instituição, dando assim mais reconhecimento aos estudos.
“É só pra isso que eles querem a aproximação com as universidades. Eles não querem fazer pesquisas com as universidades, eles querem o desfrute do logotipo, somente isso”, diz.
Além da denúncia ao Ministério Público Federal, Teixeira encaminhou os documentos à Defensoria Pública e à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Para ele, é preciso estar atento não apenas ao EIA-Rima da Votorantim, mas também ao projeto de monocultura no Rio Grande do Sul. Com os plantios de árvores exóticas em larga escala, argumenta o professor, a agricultura e a pecuária devem ser prejudicadas, gerando um forte desemprego na região.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Votorantim informou que não irá se manifestar sobre o assunto.
http://www.tj.rs.gov.br/site_php/noticias/mostranoticia.php?assunto=1&categoria=1&item=62828
Aplicada Lei Maria da Penha para proteger
menina assediada por homem
Em decisão unânime, a 6ª Câmara Criminal do TJRS aplicou a Lei Maria da Penha para determinar a imediata expedição de mandado protetivo de urgência à menina de 14 anos, perseguida por homem de 35 anos de idade que insiste
O Colegiado deu provimento ao pelo do Ministério Público contra sentença da Vara Criminal de Camaquã, que havia indeferido o pedido de decretação da medida protetiva de urgência. O MP destacou que a solicitação encontra previsão no art. 22, inc. III, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 11.340/06 (Maria da Penha). Demonstrou, ainda, que a família fez 13 ocorrências policiais contra o réu, registrando as perseguições, agressões e ameaças de morte sofridas.
Legislação busca erradicar toda violência contra a mulher
Na avaliação do relator, Desembargador Aymoré Roque Pottes de Mello, “o indivíduo que, por obsessão própria ou rejeição pessoal, persegue e ameaça uma mulher com a qual quer se relacionar, pode ter sua conduta coibida pela Lei Maria da Penha”.
Conforme o magistrado, trata-se de legislação que, além de conferir especial tutela protetiva à violência doméstica e familiar, dá cumprimento aos tratados internacionais ratificados pelo Brasil. “Em especial à Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, a fim de combater todas as formas de violência contra a mulher, decorrentes das relações de gênero.”
Reforçou que a aplicação da norma vai além dos vínculos domésticos familiares, incidindo sobre qualquer forma de agressão contra a mulher, originada em uma relação pertinente às questões de gênero, “como o que se evidencia no presente caso.”
Ressaltou que o réu, de forma obsessiva, quer se relacionar com a jovem e ante a recusa persegue, agride e ameaça de morte a menor e seus familiares, impedindo-a, inclusive, de freqüentar regularmente a escola. “Ademais, o histórico policial do acusado, com inúmeros registros, inclusive de crimes com violência, demonstra que o temor da família da menor-vítima tem fundamento e merece a devida tutela jurisdicional protetiva.”
O Desembargador Aymoré asseverou, ainda, não ser possível que o Estado aguarde silente e inerte que algo de mais grave e irremediável aconteça à família, para só então lamentar e punir. “Assim, o caso em exame comporta a aplicação da Lei nº 11.340/06, inclusive no que pertine à possibilidade de decretar a prisão preventiva do acusado.”
Votaram de acordo com o relator, no dia 27/3, os Desembargadores João Batista Marques Tovo e Nereu Giacomoli.
(Lizete Flores)
Ação violenta da PM em desocupação de área gera indenização
A 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça confirmou sentença da Comarca de Criciúma que condenou o Estado de Santa Catarina ao pagamento de indenização por danos morais e materiais no valor de R$ 10 mil à Adenir Macedo da Silva. Segundo os autos, em maio de 2005, Macedo foi agredido por policiais militares que tentavam desocupar um loteamento com chutes, socos e spray de pimenta. Ele sustentou ainda que, em conseqüência das agressões físicas, deu entrada no hospital com princípio de infarto e traumatismos múltiplos na face com instabilidade da mandíbula. Macedo da Silva ficou internado por seis dias. Diante das agressões, o lado direito de seu rosto ainda apresenta dormência, com a necessidade de tratamento protético fixo. Condenado em 1º Grau, o Estado apelou ao TJ. Argumentou que a ação dos policiais foi inevitável em razão da atitude de Macedo, que armado com marreta teria desacatado a ordem policial de desocupação. Sustentou ainda que os policiais tentaram apenas imobilizá-lo, mas ao contrário do pretendido, ele caiu com a face no chão, o que ocasionou os ferimentos. Para o relator do processo, desembargador Vanderlei Romer, as provas testemunhais são bastante claras para demonstrar como agiram os policiais para resolver a desocupação do terreno. “A ação, consubstanciada na abordagem violenta, o dano, percebido pelas lesões físicas, pelo estado de grande pavor e apreensão e pelas despesas com o tratamento; não há imaginar que os traumas suportados por Macedo provenham de outra causa que não da ação desmedida dos policiais”, finalizou o magistrado. (Apelação Cível n.º 2007.058115-4)
Fonte: Poder Judiciário de Santa Catarina
http://ultimainstancia.uol.com.br/noticia/49261.shtml
| Menção de “organização criminosa” não derruba denúncia da Daslu | |
A incidência da Lei 9.034/95, que dispõe sobre prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas, não torna inepta a denúncia apresentada pelo MPF (Ministério Público Federal) contra importadoras e a butique de luxo Daslu, em São Paulo. A decisão é da 6ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que negou por unanimidade habeas corpus à empresária Eliana Tranchesi, dona da empresa. Eliana, o irmão dela, então diretor financeiro da loja, Antônio Carlos Piva de Albuquerque, e mais cinco pessoas ligadas a empresas de importação que mantinham negócios com a Daslu respondem a processo 2ª Vara da Justiça Federal em Guarulhos (SP) desde dezembro de 2005. Todos são acusados de subfaturamento de produtos, por meio de notas fiscais falsas, cujo intuito seria burlar a Receita Federal. O esquema teria economizado cerca de US$ 11 milhões em impostos para a Daslu Pela denúncia de 67 páginas dos procuradores da República Matheus Baraldi Magnani e Jefferson Aparecido Dias, do MPF em Guarulhos, Eliana e o irmão sofrem três acusações por descaminho (produto lícito transportado de forma irregular) consumado, três por descaminho tentado (quando o crime não é consumado), nove de falsidade ideológica (fraude em documentos) e uma por formação de quadrilha, todas combinadas com a Lei 9.034/95. As penas mínimas somam 21 anos de prisão. O MPF classifica a ação como a de uma organização criminosa da seguinte maneira: “Emana da presente investigação que os denunciados associaram-se de forma constante, perene e articulada para a prática de crimes. Resta deflagrado um esquema criminoso com divisão clara de atribuições e hierarquia dentro da organização criminosa, esquema este cujo objetivo era viabilizar um sistema fraudulento de importações”. Inépcia Para tentar anular o processo pela raiz, a defesa de Eliana recorreu ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região alegando que um tópico da denúncia, denominado pelos procuradores de “organização criminosa”, tornaria a peça inepta. O problema está no uso da Lei 9.034/95, que dispõe sobre a repressão e prevenção de ações praticadas por esse tipo de grupo organizado. Segundo os advogados, o MPF fez uma descrição “típica” do que entende ser a organização criminosa cujo esquema tinha por objetivo viabilizar um sistema fraudulento de importações, do qual participaria Eliana. Mas conseguiu, no máximo, descrever uma quadrilha ou bando, sem conexão com a criminalidade organizada. A aplicação de preceitos jurídicos sem contornos definidos traz grave “ameaça” à cliente, diz a defesa, com a possibilidade de futura quebra de garantias processuais penais. “A incidência se mostra totalmente descabida, com efeitos abusivos”, conclui. O pedido foi negado por maioria pelo TRF-3, sob o entendimento de que “na fase processual em que se encontra a ação penal originária e pelas provas trazidas aos autos, não é possível afirmar que não restou demonstrada a existência de uma ‘organização criminosa’ de modo a afastar a aplicação da Lei nº 9.034/95”. Vencido, o desembargador federal Luiz Stefanini, havia votado para conceder parte do pedido e afastar a incidência da lei no caso. Para ele, combinar todas as imputações com a lei “poderá acarretar futura nulidade ao processo”. Debate No STJ, a relatora na 6ª Turma, ministra Maria Thereza de Assis Moura, considerou que a própria tentativa de habeas corpus deu a entender que a defesa pretende afastar um tipo penal que não existe na lei brasileira. “Não é plausível declarar-se a ausência da descrição de algo que, legalmente, não se encontra pormenorizado”, afirmou. Segundo ela, o que consta no ordenamento jurídico “é um conjunto de medidas processuais, rigorosas, relativas à prática delitiva com um modus operandi específico, dotado de profissionalização e estrutura aparelhada”. A ministra também levou em conta os questionamentos de doutrinadores contra a maneira pela qual foi introduzida a matéria por meio da lei. “Porém, as reconhecidas imperfeições não impedem sua aplicação, naquilo que não confrontar com a Constituição da República, sendo as regras, repita-se, de cunho processual e não material”, completou. Já o ministro Nilson Naves votou para conceder o HC, entendendo que houve “excesso” e “imoderação” por parte do MPF. “O que são organizações criminosas? Singularmente, o que é uma organização criminosa? A lei não a definiu. Inexiste conceito legal de crime organizado, que é mais do que quadrilha ou bando”, afirmou. De acordo com o ministro, segundo o que vem doutrinariamente sendo escrito, a organização pressupõe criminalidade difusa, violência, intimidação, internacionalidade, entre outros. “Ao que entendo, as condutas descritas não se encaixam no que vem sendo definido como organização criminosa”, completou. Mas a Turma decidiu seguir o entendimento da relatora, para quem o MPF descreveu os fatos de forma pormenorizada, de maneira a possibilitar o pleno exercício do direito de defesa. “Inepta, pois, ela não é.” Com relação à ameaça aos direitos de Eliana, a ministra garante que “toda e qualquer decisão judicial que quebre sigilos, determine encarceramento preventivo ou indefira liberdade provisória deverá, a teor do artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal, ser fundamentada”. Para ela, “é evidente que qualquer medida processual constritiva não decorrerá, pura e simplesmente —de forma automática— do reconhecimento da existência, ou não, de organização criminosa”. Por fim, ela destacou que não houve qualquer constrangimento ilegal concreto e que o STJ, em habeas corpus, não pode entrar no mérito de uma análise fático-probatória. Segunda-feira, 31 de março de 2008 |
Como tá seu nike aí?
http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200804010859_EFE_73749562
Terça, 1 de abril de 2008, 5h59 | |
Fonte: EFE |
Vietnã: 20 mil funcionários da Nike entram em greve
Quase todos os 21 mil trabalhadores de uma fábrica da Nike no Vietnã entraram em greve para reivindicar um aumento salarial que lhes permita combater a crescente inflação.
Os empregados da fábrica Ching Luh, na província de Long An, iniciaram nesta segunda-feira a greve para exigir uma alta de pelo menos 20% em seu atual salário, de US$ 59 por mês, e um melhor serviço de alimentação na cantina, indicou hoje Nguyen Van Thua, do sindicato provincial.
Thua explicou que a fábrica, propriedade de uma empresa de Taiwan e que fabrica calçados para a Nike desde 2002, paga a seus trabalhadores, a maioria mulheres jovens procedentes das zonas rurais, 14% a mais que o salário mínimo, mas o valor ainda é insuficiente para resistir à alta inflação.
"A companhia cumpriu as leis vietnamitas, mas como os preços seguem disparando a cada dia, os empregados tinham problemas para sobreviver até o fim do mês", afirmou.
O índice de preços ao consumidor no Vietnã subiu 19% no último ano, segundo as estatísticas oficiais.
No começo de 2008, o governo tentou atenuar os efeitos da crescente inflação aumentando em 13% - para US$ 59 por mês - o salário mínimo dos empregados de companhias estrangeiras.
No entanto, muitos trabalhadores se queixam que mesmo assim é difícil pagar as contas todos os meses.
Vários investidores estrangeiros, especialmente os radicados em Taiwan, protestaram ativamente contra o aumento salarial e ameaçaram deixar o país se o intervencionismo estatal prejudicasse os negócios.
No entanto, o salário no Vietnã continua sendo até 30% em média menor que em partes da China, o que provocou o estabelecimento no país do Sudeste Asiático de milhares de novas fábricas nos últimos cinco anos.
sábado, 15 de março de 2008
"A Fanta foi criada pelo químico alemão Schetelig durante a Segunda Guerra Mundial, para a Coca-Cola da Alemanha, em Essen. Devido às restrições do tempo de guerra, a fábrica alemão não obtinha dos Estados Unidos o xarope de base para a produção da Coca-Cola tradicional. O director da fábrica, Max Keith, necessitava de um produto para manter a fábrica em produção e propôs um sabor a frutos quando analisou que matérias-primas estavam disponíveis."
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fanta
Se duvidar que é verdade:
"A marca Fanta foi criada na Alemanha, nos anos 40, e hoje é vendida em 187 países. A Fanta Laranja chegou ao Brasil em 1964, seguida de Fanta Uva, em 1971. A partir da década de 90, foram lançadas as versões light. Inovações como Fanta Laranja Mix se tornaram freqüentes e hoje são aguardadas pelo consumidor. No mundo, a marca Fanta é a líder entre os refrigerantes dos sabores Laranja e Uva." http://www.cocacolabrasil.com.br/conteudos.asp?item=3&secao=36&conteudo=122
Beba Fanta! Principalmente se você fizer parte do "público-alvo":
"Sempre ávido por novidades, o público de Fanta é composto por adolescentes de ambos os sexos, com idades entre 12 e 19 anos."
http://www.cocacolabrasil.com.br/conteudos.asp?item=3&secao=36&conteudo=122
Como um produto criado no nazismo alemão, para a Coca-Cola continuar ganhando dinheiro durante a guerra, continua sendo consumido hoje e é destinado para crianças a partir dos 12 anos???????
quarta-feira, 12 de março de 2008
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2202200827.htm
Deputado propõe que lei estadual paulista contra homofobia seja revogada
CÍNTIA ACAYABA
DA AGÊNCIA FOLHA
JULIANA COISSI
DA FOLHA RIBEIRÃO
A primeira multa desde a criação da lei foi aplicada no início deste ano a um morador de Pontal (351 km da capital paulista) que, em novembro de 2006, chamou um homossexual de "veado".
A justificativa do projeto que pretende revogar a lei afirma que a Constituição não distingue homens ou mulheres de heterossexuais ou homossexuais, estabelecendo que "todos são iguais perante a lei". O projeto foi distribuído às comissões de Constituição e Justiça e de Direitos Humanos. O relator do projeto, deputado André Soares (DEM), deu parecer favorável à proposta.
Pontal
Moradores de Pontal, que tem apenas 55 mil habitantes, dizem que a cidade não é homofóbica. A acusação contra a cidade foi feita pelo empresário Justo Favaretto Neto, 48, que processou o técnico de laboratório químico Juliano Araújo da Silva por tê-lo chamado de "veado". Silva foi multado em R$ 14.880 pela Secretaria da Justiça do Estado.
Outros moradores se assustaram com o valor da multa. "Quinze mil por causa disso, só porque xingou? É muito exagero", acredita o safrista Donizete Emanoel Régio, 20.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u374485.shtml
21/02/2008 - 09h07
Jovem é multado por ofender gay e chamá-lo de "veado"
CÍNTIA ACAYABA
da Agência Folha
Um jovem de 27 anos, de Pontal (351 km de São Paulo), foi multado em R$ 14.880 pela Secretaria da Justiça do Estado após chamar de "veado" um homem de 48 anos, homossexual declarado, em um posto de gasolina da cidade.
É a primeira vez que essa multa é aplicada desde a criação da lei estadual nº 10.948, de 2001, e da formação da comissão para julgar os casos de homofobia, em 2002.
A lei, de autoria do deputado Renato Simões (PT), estabelece penas às manifestações atentatórias ou discriminatórias contra homossexuais.
Até hoje houve apenas outras 81 denúncias à comissão-nenhuma delas acarretou multa, principalmente por alegada falta de provas.
De acordo com a decisão da comissão, de 15 de janeiro, Juliano da Silva, 27, técnico de laboratório, será obrigado a pagar mil UFESPs (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo) porque atacou verbalmente e fisicamente o industrial e dono de uma metalúrgica, Justo Favaretto Neto, 48.
No dia 18 de novembro de 2006, Favaretto Neto foi abastecer seu carro no Auto Posto Pontal. Na loja de conveniência do posto, Silva bebia com cinco amigos. De acordo com o processo, o técnico dirigiu-se ao industrial com "gestos e sons afetados" e, depois, atirou uma lata de cerveja contra Favaretto Neto, deu um tapa em seu rosto e o chamou de "veado".
O industrial acionou a Polícia Militar, que presenciou Silva xingando-o de "veado".
Silva admite que chamou Favaretto Neto de "veado" e que atirou uma lata de cerveja contra ele, mas diz que ela não o atingiu. O técnico nega que tenha dado um tapa no rosto de Favaretto Neto.
A comissão considerou, por unanimidade, que houve "constrangimento de ordem moral, em razão da sua orientação sexual, na modalidade de vexame, humilhação, aborrecimento e desconforto".
A Procuradoria Geral do Estado é quem faz a cobrança da multa. O dinheiro vai para os cofres do Estado --caso a multa não seja paga, Silva ficará inscrito na "Dívida Ativa". Ele não pode mais recorrer da decisão na secretaria porque perdeu o prazo, mas ainda pode tentar revertê-la na Justiça.
Favaretto Neto também entrou com duas ações, uma por agressão e outra por danos morais, no Fórum de Pontal.
Na Justiça comum, ele conseguiu a vitória por agressão física, e Silva foi condenado a pagar um salário mínimo, destinado à Santa Casa de Pontal.
Segundo o presidente da comissão, Felipe Manubens, a multa foi aplicada porque foi um caso claro, "muito acintoso, inclusive com agressão física".
De acordo com Ricardo Yamasaki, vice-presidente da comissão, os denunciantes são, em sua maioria, pessoas físicas (76 casos). Há ainda ONGs e pessoas jurídicas (seis casos). Já os denunciados, em sua maioria, são pessoas jurídicas.
"Nem todos os 82 casos foram julgados, mas a maioria foi decidida pela improcedência", diz Yamasaki.
Além de multa, há outras sanções como advertência e suspensão da licença estadual de funcionamento por 30 dias (em casos de pessoas jurídicas).
domingo, 17 de fevereiro de 2008
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1702200816.htm
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ARGENTINA
Madri extraditará argentino por crimes da ditadura
DA REUTERS
A Espanha concordou anteontem com a extradição de Eduardo Almirón, ex-membro da Aliança Anticomunista -grupo paramilitar responsável por torturas e mortes de opositores nos anos anteriores à última ditadura militar Argentina (1976-83). Almirón, que hoje tem mais de 70 anos e desde 2006 está detido em um centro de saúde espanhol, será julgado na Argentina por genocídio e crime contra a humanidade.quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
14/02/2008
Debi e Lóide: os americanos estão hostis ao conhecimento?
Patrícia Cohen
Um vídeo popular no YouTube mostra Kellie Pickler, a loura adorável de "American Idol" no jogo da Fox "Você é mais inteligente que um aluno do quinto ano?", durante a semana da celebridade. A pergunta de US$ 25.0000 (cerca de R$ 50.000), selecionada do currículo de geografia do terceiro ano do ensino fundamental, era: "Budapeste é a capital de qual país europeu?"
Susan Jacoby no prédio de Belas Artes da Biblioteca Pública de Nova York |
Tal, digamos, falta de consciência global é o tipo de coisa que deixa Susan Jacoby, autora de "The Age of American Unreason" subindo pelas paredes. Jacoby faz parte de uma série de autores com livros recentes reclamando do estado da cultura americana.
Entrando para o círculo de rabugentos nesta temporada está Eric G. Wilson, cujo "Against Happiness" adverte que a "obsessão americana com a felicidade" pode "muito bem levar a uma súbita extinção do impulso criativo, que pode resultar em um extermínio tão terrível quanto os previstos pelo aquecimento global, crise ambiental e proliferação nuclear."
Depois tem "Against the Machine: Being Human in the Age of the Electronic Mob" (contra a máquina: ser humano na era da plebe eletrônica), de Lee Siegel, que protesta veementemente contra a Internet por estimular o solipsismo, o discurso sem base e a comercialização total. Siegel, é preciso lembrar, foi suspenso pelo "The New Republic" por usar um personagem falso on-line para criticar críticos de seu blog ("você não seria nem capaz de amarrar os sapatos de Siegel) e se elogiar ("bravo, brilhante").
Jacoby, cujo livro foi lançado na terça-feira (12/2), não se concentra em uma tecnologia ou emoção particular, mas no que percebe como uma hostilidade generalizada ao conhecimento. Ela tem consciência que alguns poderão chamá-la de chata. "Imagino que serei criticada" como uma pessoa mais velha que menospreza os jovens pela queda nos padrões e valores ou como secularista cuja defesa do racionalismo científico é uma forma de desprezar a religião, disse Jacoby, 62.
Jacoby, entretanto, rapidamente salienta que sua denúncia não se limita à idade ou ideologia. Sim, ela sabe que cabeças de ovo, nerds, minhocas de livro, CDFs, quatro-olhos e sabichões sempre foram ridicularizados e menosprezados pela história americana. Além disso, autores liberais e conservadores, desde Richard Hofstadter até Allan Bloom, analisaram o fenômeno regularmente e ofereceram conselhos.
T.J. Jackson Lears, historiador cultural que edita a revista trimestral "Raritan", disse: "A tendência a esse tipo de lamento é perene na história americana" e acrescentou que, "quando os problemas políticos parecem intratáveis ou de alguma forma congelados, há uma volta para questões culturais".
Agora, porém, algo diferente está acontecendo, segundo Jacoby: o anti-intelectualismo (a atitude de que "aprendizado demais pode ser perigoso") e o anti-racionalismo ("a idéia de que não existem coisas como provas ou fatos, apenas opiniões") se fundiram de forma particularmente insidiosa.
Não apenas os cidadãos ignoram conhecimentos essenciais científicos, civis e culturais, disse ela, mas também não acham isso importante.
Ela apontou para uma pesquisa da National Geographic de 2006 que revelou que quase metade das pessoas de 18 a 24 anos não pensam que é necessário ou importante saber em quais países as notícias estão localizadas. Então, depois de mais de três anos de guerra no Iraque, apenas 23% de pessoas no terceiro grau sabiam localizar no mapa o Iraque, Irã, Arábia Saudita e Israel.
Jacoby, vestida de gola rulê vermelha combinando com o batom, estava sentada, apropriadamente, em um templo do conhecimento, o majestoso prédio de Belas Artes da Biblioteca Pública de Nova York. Autora de sete outros livros, ela trabalhava na biblioteca quando teve a idéia de seu primeiro livro em 2001, sobre 11 de setembro.
Caminhando para seu apartamento no Upper East Side, assombrada e confusa, ela parou em um bar. Ela bebeu um bloody mary, ouvindo silenciosamente dois homens bem vestidos, de terno. Por um segundo, achou que eles iam comparar aquele dia horrível com o bombardeio japonês de 1941 que levou os EUA à Segunda Guerra Mundial:
"Isso é igual a Peal Harbor", disse um dos homens.
O outro perguntou: "O que é Pearl Harbor?"
"Foi quando os vietnamitas jogaram bombas em um porto e começou a guerra do Vietnã", respondeu o primeiro homem.
Naquele momento, Jacoby decidiu escrever o livro, disse ela.
Jacoby não espera revolucionar o sistema educacional do país ou levar milhões de americanos a desligarem "American Idol" para pegar Schopenhauer. Mas ela gostaria de começar um diálogo sobre por que os EUA parecem particularmente vulneráveis a esse vírus de anti-intelectualismo. Afinal, "o império da informação não pára na fronteira americana" e, ainda assim, estudantes em outros países consistentemente apresentam melhor desempenho que os americanos em ciências, matemática e leitura de textos comparativos, disse ela.
Em parte, Jacoby atribui a culpa ao sistema educacional decadente. "Apesar das pessoas irem para a escola por cada vez mais anos, não há evidências de que saibam mais", disse ela.
Jacoby também culpa a antipatia do fundamentalismo religioso contra a ciência e lamenta as pesquisas que mostram que quase dois terços dos americanos querem que o criacionismo seja ensinado junto com a evolução.
Jacoby não deixa os liberais fora de sua análise, mencionando os ataques da Nova Esquerda a universidades nos anos 60; a decisão de consignar estudos de negros e mulheres a um "gueto acadêmico" em vez de integrá-los no currículo central; e cursos universitários de cultura popular que envolvem de tudo, desde séries cômicas até gordura e banalizam o aprendizado.
Evitando os rótulos de liberal ou conservadora neste argumento particular, ela prefere se dizer "conservadora cultural".
Apesar de todos seus interesses acadêmicos, porém, Jacoby reconhece como é duro desligar-se da cultura do entretenimento de 24 horas por dia, sete dias por semana. "Fiquei impressionada em ver como era difícil para mim", disse ela.
A surpresa de sua própria dependência na mídia eletrônica e visual fez que ela compreendesse como é onipresente a cultura da distração e quão suscetível todo mundo é -até os rabugentos.
Tradução: Deborah Weinberg
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1302200802.htm
Lucro do Itaú dobra e é o maior do setor
Ganho em 2007 chega a R$ 8,47 bi, contra R$ 8,01 bi do Bradesco, inflado por vendas de participações e crédito em alta
Setubal afirma que receita com tarifas deve crescer em ritmo menor neste ano por causa de ação do governo para reduzir cobrançaFABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
O Itaú dobrou seu lucro de 2006 para 2007. Com isso, cravou novo recorde para o setor bancário nacional, ao computar lucro líquido de R$ 8,474 bilhões no ano passado -aumento de 96,7%. O Bradesco, principal rival do Itaú, teve lucro de R$ 8,010 bilhões em 2007.
Como no caso do Bradesco, o resultado de 2007 foi inflado por efeitos extraordinários, dentre os quais a venda de participações na Bovespa, na BM&F e na Redecard. Em 2006, a realidade foi inversa: o desconto de ágios referentes a compras de instituições financeiras engoliu parte do lucro final dos bancos.
Se todos esses efeitos forem desconsiderados, nos dois anos, o lucro do Itaú subiu 15,9% em 2007, ficando em R$ 7,179 bilhões. Só no quarto trimestre do ano passado, o lucro da instituição financeira totalizou R$ 2,029 bilhões.
Com a economia aquecida e os juros em níveis elevados internacionalmente -o Brasil é o segundo no ranking dos países com maiores taxas reais do mundo-, a disseminação do crédito tem desempenhado papel relevante no resultado dos bancos: mais dinheiro tem sido emprestado, a taxas ainda altas.
No caso do Itaú, dentro da carteira de crédito, que aumentou 36,2% no ano passado, para R$ 127,59 bilhões, o destaque foi a expansão do segmento de financiamento de veículos, que teve aumento anual de 64,4% e totalizou R$ 29,61 bilhões.
Roberto Setubal, presidente do Itaú, avalia que a expansão do crédito vai se manter com fôlego privilegiado em 2008. "Devemos ver um crescimento entre 25% e 30% no crédito neste ano, excluindo o destinado às grandes empresas", afirmou Setubal.
Nos últimos anos, as grandes empresas têm buscado outras formas de conseguirem recursos, como emissão de debêntures e ações. O crédito dirigido ao segmento subiu 18% em 2007 no Itaú.
Setubal prevê que a economia brasileira crescerá em torno de 4,5% em 2008. Para o executivo, a maior probabilidade é a de a taxa básica Selic ser mantida em 11,25% no decorrer do ano. Dessa forma, a tendência é a de o cenário para os ganhos com crédito se manter.
O que deve perder um pouco de ritmo em 2008 são os ganhos com receitas de prestação de serviços -que incluem tarifas bancárias, taxas de cartões de crédito e administração de fundos, entre outros-, impactada pelas novas regras estipuladas para a cobrança de tarifas. Setubal avalia que isso deve ocorrer e é possível que "as receitas obtidas com tarifas bancárias" decresçam no ano.
No ano passado, as receitas de serviços totalizaram R$ 10,17 bilhões, aumento de 11,8% sobre 2007.
"A tendência é o ganho com prestação de serviços manter-se em crescimento, mas não no mesmo ritmo que temos visto", afirma Ariadne Arnosti, analista financeira do Inepad (Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração).
Um destaque do resultado do Itaú foi a melhora do perfil de sua carteira de crédito. Isso se refletiu na diminuição das despesas com provisão para créditos de liquidação duvidosa, que caíram de R$ 1,631 bilhão no terceiro trimestre para R$ 1,565 bilhão nos últimos três meses do ano. Na comparação de 2006 com 2007, o aumento nesse quesito foi pequeno (1,8%), indo de R$ 6,448 bilhões para R$ 6,563 bilhões.
O banco comemorou a queda na inadimplência no ano passado. De 5,3% do total em 2006 (para operações vencidas há mais de 60 dias), a taxa caiu para 4,4% no ano passado.
"Havíamos tido um aumento grande da inadimplência em 2006, o que nos levou a ser mais conservadores [na concessão de crédito]. E isso se refletiu já em 2007", disse Setubal. As ações preferenciais do Itaú subiram 6,13% na Bovespa no pregão de ontem.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u371445.shtml
11/02/2008 - 18h36
Criminosos invadem Associação GLBT de SP e espancam presidente
da Folha Online
O presidente da Associação do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) de São Paulo foi espancado na tarde desta segunda-feira na sede da entidade, na praça da República, região central de São Paulo.
De acordo com Dimitri Sales, assessor jurídico da CADS (Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual) da prefeitura, Alexandre Peixe dos Santos estava na associação quando o local foi invadido. Ele foi agredido, amordaçado e encapuzado pelos criminosos.
"Ele ficou desacordado e quando recuperou a consciência chamou ajuda", afirmou Sales.
Santos foi encaminhado para o pronto-socorro da Santa Casa de São Paulo. O caso foi encaminhado para registro na Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância). Segundo Sales, a delegacia deve apontar se o crime foi de homofobia ou um assalto.
Os policiais foram até a Santa Casa para colher o depoimento de Santos. Ainda não há informações se algo foi roubado da associação.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1102200816.htm
DITADURA
Argentina prende militares que mataram guerrilheiros em 1972
ADRIANA KÜCHLER
DE BUENOS AIRES
A Justiça argentina também ordenou a captura de outros três ex-membros da Marinha: dois não foram encontrados, e o terceiro está nos Estados Unidos, mas deve voltar ao país amanhã.
Foram presos Rubén Norberto Paccagnini, 81, que era chefe da base naval Almirante Zar, onde ocorreu o crime, em Trelew (1.450 km ao sul de Buenos Aires), e Emilio Jorge Del Real, 73, então capitão-de-fragata, que teria estado no local do massacre.
Testemunhas, no entanto, apontam que os principais responsáveis pelos assassinatos seriam o capitão Luis Emilio Sosa e o tenente Roberto Guillermo Bravo, não localizados.
O massacre de Trelew aconteceu no fim da ditadura militar instalada em 1966, após uma fuga fracassada da cadeia de Rawson de guerrilheiros dos grupos Montoneros, ERP e FAR. Após perderem um avião que os levaria ao Chile, mas que partiu com apenas seis de seus líderes, os 19 guerrilheiros se entregaram e foram fuzilados. Pela versão oficial, eles teriam sido mortos após nova tentativa de fuga.
O juiz Hugo Sastre, responsável pela decisão, enquadrou o caso como delito de lesa-humanidade, como os demais praticados durante a última ditadura. Dessa forma, os crimes não prescreveram. Os ex-integrantes da Marinha serão levados à mesma prisão de onde os guerrilheiros tentaram fugir.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft0902200817.htm
Estudo destrói mito de que Geração Google é melhor no mundo virtual
Para pesquisador britânico, a sociedade como um todo está ficando mais burra
ANDREA MURTA
DA REDAÇÃO
É o que afirma o estudo "Comportamento Informativo do Pesquisador do Futuro", liderado por Ian Rowlands, da University College de Londres. De acordo com ele, o uso da internet é superficial, promíscuo e rápido, e respostas com pouca credibilidade encontradas por ferramentas de busca como Google ou Yahoo prevalecem.
"Acadêmicos mais jovens não estão usando conteúdo de bibliotecas de uma maneira séria. Usam o Google, porque é mais conveniente. Isso vai limitar seus horizonte de pesquisa", afirmou Rowlands à Folha, por telefone, de Londres.
A pesquisa define como Geração Google os nascidos depois de 1993. Ela foi feita pela revisão de estudos já publicados sobre mecanismos de busca e análise de informação, associando-os com dados sobre como o público usa hoje sites como o da Biblioteca Britânica.
Rowlands afirma que ficou rapidamente claro que não é possível generalizar as crenças sobre habilidades da Geração Google. Até a idéia de que jovens gastam mais tempo on-line do que os mais velhos foi relativizada.
Mas foram detectadas tendências preocupantes. "A sociedade está emburrecendo", diz o estudo. "Passam os olhos por títulos, índices e resumos vorazmente, sem leitura real".
E o comportamento ultrapassa a barreira da idade. "Até professores, que supostamente teriam meios mais sofisticados para buscar e analisar informações, mostram as mesmas tendências", afirma o pesquisador.
O estudo vê uma possível ameaça às bibliotecas. "Meu instituto gasta uns US$ 4 milhões por ano em publicações acadêmicas, mas os alunos preferem ferramentas simplistas. É frustrante", diz Rowlands.
Na era da enciclopédia
No Brasil, acadêmicos ouvidos pela Folha divergem sobre as conclusões da pesquisa. Para Renato Rocha Souza, do Departamento de Organização e Tratamento da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, é mesmo problemática a primazia do Google em atividades acadêmicas. "A arquitetura dessa ferramenta privilegia páginas mais citadas na internet, e essa relevância nem sempre é real", diz.
Para ele, "alunos não sabem distinguir um site de artigos acadêmicos do "blogue do joãozinho'". "E não têm pudor em citá-lo. Falta juízo de valor."
Contudo, ele não acha que a tendência tenha surgido com a internet. "Não era tão diferente quando pesquisávamos nas enciclopédias. O que mudou foi a oferta de informação", afirma.
Já Aldo Barreto, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, discorda de Rowlands. "Nunca foi feita tanta pesquisa e de tão boa qualidade quanto atualmente, graças à internet , afirmou à Folha, do Rio de Janeiro.
Para Lawrence Shum, especialista em mídias digitais da PUC de São Paulo, "a internet tem problemas, mas está no caminho da auto-regulação".
E muitos vêem vantagens na busca pelo Google. Segundo Carlos Frederico D'Andrea, coordenador do Laboratório de Comunicação Digital do Centro Universitário UNA, em Belo Horizonte, "a biblioteca dá a ilusão de que o conhecimento está todo ali e é inquestionável". "Na internet, o resultado é sabidamente instável e não vai ser usado cegamente. Mas é preciso treino adequado."
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0602200810.htm
SP usa menos da metade de verba para reforma agrária Estado presta contas da utilização de R$ 26,2 milhões dos R$ 57,4 mi recebidos da União
Órgão do governo tucano diz ter usado verba maior para comprar fazendas e que prestação de contas ao Incra está desatualizada
| Cristiano Machado - 4.fev.2008/Folha Imagem | Sem-terra ligados ao MST montam acampamento em fazenda de Martinópolis, no Pontal |
CRISTIANO MACHADO
COLABORAÇÃO PARA A AGÊNCIA FOLHA, EM TEODORO SAMPAIO (SP)
O Estado de São Paulo usou, nos últimos cinco anos, menos da metade da verba repassada pelo governo federal para compra de áreas consideradas devolutas (públicas, com suspeita de apropriação ilegal no século passado) no Pontal do Paranapanema (oeste do Estado).
A compra das áreas é uma das principais formas de criar novos assentamentos e reduzir o conflito agrário na região, palco de 223 (48,2%) das 462 invasões de terra ocorridas no Estado de janeiro de 2003 a outubro de 2007, segundo levantamento do Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo).
Cruzamento de dados do órgão estadual e do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) aponta que, nos quatro anos do segundo mandato de Geraldo Alckmin (2003-2006) e no primeiro ano do também tucano José Serra (2007), o governo paulista prestou contas da utilização de somente R$ 26,2 milhões dos R$ 57,4 milhões repassados pela União em duas parcelas (2003 e 2006).
O número corresponde a 45,6% da verba. Isso significa que o Itesp deixou de usar R$ 31,2 milhões repassados.
Por meio da assessoria de imprensa, o Itesp afirmou ter empenhado na aquisição de fazendas um valor superior: R$ 34,4 milhões, ou 59,9% do total da verba anunciada pelo Incra.
Segundo o instituto, os R$ 8,2 milhões que não aparecem na prestação de contas ao Incra foram gastos na compra de duas fazendas, mas, de acordo com a assessoria, essa informação ainda não foi repassada ao órgão do governo federal.
Assentamentos
Os dados declarados mostram que, com a verba, o Estado fechou acordos para compra de nove fazendas no Pontal, um total de 7.966,85 hectares, o suficiente para assentar 479 famílias -hoje há na região 3.774 famílias cadastradas à espera de um lote de terra.
Das nove fazendas adquiridas com dinheiro do convênio, apenas duas se transformaram em assentamento. Outras cinco permaneciam invadidas por movimentos sociais até o início da semana passada.
Em quatro delas, visitadas pela Folha, os sem-terra usavam, sem autorização, a estrutura (pasto, água e luz) e até decidiram lotear um dos imóveis e tombar a terra para plantio de milho, mandioca e feijão.
Planilhas de áreas compradas com dinheiro do convênio obtidas pela reportagem mostram que, nos dois primeiros anos de validade do convênio, o Estado gastou R$ 16,3 milhões dos R$ 29,4 milhões do acordo para a compra de cinco áreas.
Já em 2005, o Itesp não fez nenhuma aquisição de terras. Com isso, segundo o Incra, "houve redução nos repasses seguintes". Entre 2006 e 2007, com a assinatura do aditivo de R$ 28 milhões, foram adquiridas quatro áreas. O Itesp prestou contas de só duas delas.
O Incra disse que a "intenção era que outros aditivos fossem sendo acordados a cada ano". Apesar de não ter sido utilizado todo o montante, Incra e Itesp firmaram em dezembro passado novo termo aditivo prevendo R$ 25 milhões para 2008.
O diretor-executivo do Itesp, Gustavo Ungaro, afirmou que não vai comentar os números por não ter "os dados em mãos". Mas confirmou que há dificuldades para arrecadação de terras. "O Estado encontra limitações, dificuldades por depender de acordos para pôr fim a disputas judiciais com os fazendeiros", declarou.
Para sem-terra e ruralistas, isso é "desculpa". "É a demonstração clara de que o governo tucano em São Paulo tem o compromisso com a oligarquia, o latifúndio, o agronegócio", diz José Rainha Jr., que, mesmo afastado da direção do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), domina a maior parte dos acampamentos de sem-terra do Pontal.
Já o presidente nacional da UDR (União Democrática Ruralista), Luiz Antônio Nabhan Garcia, criticou o argumento do diretor do Itesp. "Vende a terra quem quer. Vivemos numa democracia e ninguém é obrigado a vender a sua propriedade goela abaixo pelo preço que o Incra, o Estado quer."
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/destaquesgls/ult10009u370115.shtml
06/02/2008
Band veta beijo lésbico no Carnaval de Salvador
SÉRGIO RIPARDO
Editor de Ilustrada da Folha Online
Um repórter da Band foi acusado de censurar um beijo lésbico durante a cobertura do Carnaval em Salvador (BA). A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais flagrou a cena e pediu "providências" à emissora, que ainda não se manifestou sobre o caso.
A carta de Toni Reis, presidente da ABGLT, foi enviada a três diretores do canal (Elisabetta Zenatti, direção geral de programação e artístico, Fernando Mitre, direção nacional de jornalismo e Marcelo Mainardi, direção executiva comercial).
A associação relata que, na última segunda-feira, por volta das 17h45, o repórter Érico Aires impediu duas mulheres de se beijarem, diante das câmeras, em transmissão ao vivo.
Era uma ação de merchandising da marca de creme dental Close-Up. Casais deveriam se beijar para ganhar kits promocionais. Dois casais heterossexuais já estavam se beijando quando as duas mulheres começaram a se aproximar.
"O repórter, então, apresentou descontrole e gritou: 'Duas mulheres, não. Mulher com mulher, não. Beijar mulher e mulher, não'. Com o desconforto da situação, surgiu uma voz em off, encerrando o quadro, mas ainda foi possível ouvir o rapaz dizer 'vou arrumar dois homens para vocês'", relata Reis, em sua carta enviada à Band.
Na opinião do militante, é "inadmissível que uma emissora do porte da Bandeirantes apresente tal atitude discriminatória", principalmente no ano em que o Brasil realiza sua 1ª Conferência Nacional GLBT, convocada pelo presidente da República.
A Folha Online procurou a assessoria da Band e pediu um comentário sobre a carta da ABGLT, mas ainda não recebeu uma resposta.
| Daia Oliver/Folha Online | ||
| Com piercing na língua, meninas se beijam em festa. "Guia GLS São Paulo" traz atrações para público lésbico |
Big Brother
Enquanto a Band veta beijo entre duas mulheres, no "Big Brother Brasil", o preconceito contra as lésbicas é discutido pelos participantes. Já se especulou que haveria uma lésbica no programa, mas até o momento ela não saiu do armário.
"As pessoas aceitam com mais facilidade a homossexualidade dos homens do que a das mulheres. É mais difícil pensar em mulher homossexual, sem relacionar com a imagem da caminhoneira" disse a professora de inglês Thatiana em conversa com o médico Marcelo, gay assumido.
Bianca, que no começo do "BBB 8" foi alvo de boatos de que seria lésbica, também comentou o assunto. "É mais fácil conhecermos homens gays do que mulheres que assumam a homossexualidade."
Especial
| Sérgio Ripardo é editor de Ilustrada da Folha Online desde maio de 2005. Está na Folha desde janeiro de 2000. Foi repórter do extinto caderno Agrofolha e do FolhaNews, onde cobriu mercado financeiro. Escreve Destaques GLS às quartas. E-mail: sergio.ripardo@folha.com.br. |
Quarta, 6 de fevereiro de 2008, 10h59 | |
Fonte: Associated Press |
Empresas
Alemanha pede que Nokia devolva US$ 60 mi por fechar fábrica
O governo alemão anunciou nesta quarta-feira que pediu para a fabricante de celulares Nokia para devolver 41 milhões de euros (cerca de US$ 60 milhões) em subsídios públicos que recebeu para financiar uma fábrica que a empresa agora pretende fechar.
» Veja fotos do protesto
» Movimento antiglobalização lança boicote à Nokia
» Nokia pode fechar fábrica na Alemanha
» Nokia pretende fechar unidade e vender negócios
A Nokia afirmou em janeiro que iria encerrar a produção na fábrica de Bochum, o que deve resultar na demissão de 2,3 mil trabalhadores. O banco estatal NRW.Bank enviou à empresa de celulares o valor de US$ 60 milhões entre 1998 e 1999.
O governo alemão deu uma semana para que a companhia anuncie o que pretende fazer. Em comunicado, a Nokia afirmou estar "perplexa" com os esforços da Alemanha em recuperar o subsídio.
A companhia afirmou que planeja vender seu negócio de assessórios automotivos e que está em negociação com a Sasken Technologies para vender a unidade de pesquisa de adaptação e desenvolvimento de software da unidade Bochum.
A venture da Nokia de equipamentos de rede com a Siemens, a Nokia Siemens Networks, também afirmou que pretende cortar 9 mil empregos, 15% de sua força total de trabalho, até o final de 2010, sendo 2,29 mil funcionários na Alemanha.
Protesto
O teatro Schauspielhaus, em Bochum, iniciou uma campanha em que os proprietários de celulares da Nokia podem jogar seus aparelhos em um tonel e escrever cartas para expressar sua insatisfação contra os planos da empresa em fechar a fábrica.
Os celulares e cartas que forem recolhidos serão enviados ao presidente da companhia, Olli-Pekka Kallasvuo.
| Proprietários de celulares da Nokia podem jogar seus aparelhos em um tonel como protesto |
Ocupação do MST em Santa Catarina é alvo de pistoleiros
Na madrugada do dia 30 de Janeiro, cerca de 50 famílias sem terra do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), ocuparam um latifúndio de cerca de 900 hectares na área rural do município de Taió, interior de Santa Catarina. Porém, durante a ocupação, as famílias foram surpreendidas por um ataque dos pistoleiros (jagunços) da região.
A reação dos jagunços resultou na formação de dois grupos de sem terras: uma parte impedida de entrar e a outra dos que conseguiram instalar-se no local. O segundo grupo foi alvo de disparos de arma de fogo e ameaças. Essa situação tensa durou três dias, apesar da Polícia Militar ter sido chamada - pelo movimento-, sua primeira reação foi de se retirar a pedido do fazendeiro e somente regressando posteriomente para montar um acampamento juntamente com os jagunços para bloquear todo tipo de apoio aos sem terra: alimentos, água, lona para o acampamento, ajuda de outros sem terras, etc.
No dia 2 de Fevereiro, com a ajuda do bispo da Comissão da Pastoral da Terra (CPT), as famílias instaladas foram transladadas ao lado de uma igreja construída no local. Agora, o movimento aguarda até o dia 10, para quando está marcada o julgamento da reintegração de posse.
Apesar da propriedade ocupada pertencer a uma poderosa família de Taió, a qual possui milhares de hectares de terras na região, ela foi legalmente desapropriada pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). A ação do MST representa nesse sentido uma forma de pressão para o avanço da reforma agrária na região.
Matérias:: Relato de uma noite no acampamento | Fotos | [SC] MST ocupa terras e enfrenta jagunços
Áudio:: Relato da ocupação do MST (I) | (II)
sábado, 26 de janeiro de 2008
26/01/2008 - 08h28
Exército pede convites para liberar camarote em Salvador
LUIZ FRANCISCO
da Agência Folha, em Salvador
Para liberar o funcionamento de um camarote em área da União durante o Carnaval de Salvador, o comando da 6ª Região Militar exigiu, em edital de licitação, que a empresa vencedora colocasse à disposição do Exército um espaço especial, com cobertura, para 50 pessoas (por dia), decorado, mobiliado, com serviço de copa livre com água mineral, refrigerante, cerveja, coquetéis e salgados.
O Exército também pediu --sem dar explicações à empresa vencedora-- uma outra área, com capacidade para 250 pessoas. Este "camarote" especial funcionaria dentro da área militar. O outro espaço fica do lado de fora da construção, entre o Campo Grande e a praça Castro Alves (centro), o principal circuito da folia baiana.
Depois de analisar o edital, o Ministério Público Federal recomendou ao Exército a exclusão das exigências "incompatíveis com o interesse público do termo de permissão de uso para exploração de espaço da União no Carnaval".
Segundo a Procuradoria, a montagem dos camarotes exigidos é descontada do valor final do contrato, violando os princípios administrativos da legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência.
O Ministério Público Federal também recomendou que, nas próximas explorações econômicas da área, em qualquer tipo de modalidade, o Exército deixe de exigir a disponibilização de convites para comercialização abaixo do valor definido pela permissionária.
A 6ª Região Militar tem cinco dias para informar ao Ministério Público as providências adotadas para o cumprimento da recomendação e três dias para justificar qual a finalidade da montagem de mais um outro camarote, com especificações definidas, "providenciando a exclusão de tal exigência caso também não esteja de acordo com o princípio da isonomia".
Outro lado
Chefe do setor de suprimentos da 6ª Região Militar, o tenente-coronel Fernando César Hernandes disse que as 50 entradas por dia exigidas em edital eram para o "recebimento de autoridades civis e militares convidadas pelo Exército".
Hernandes afirmou, após receber a recomendação da Procuradoria, que o Exército cancelou os pedidos e que a informação foi repassada para a Show Estruturas e Eventos Ltda, vencedora da licitação. Sobre o segundo espaço, o militar disse que o Exército pediu apenas a construção de um camarote dentro de suas instalações, com capacidade para 250 pessoas. Ele afirmou que os prazos solicitados pela Procuradoria serão cumpridos.
Aeronáutica
A Justiça Federal anulou cláusula que estabelecia que a empresa que venceu a licitação para explorar um camarote durante o Carnaval de Salvador deveria ceder 150 cortesias por dia à Aeronáutica. O camarote está localizado em Ondina, em uma área da Aeronáutica. No edital, a Aeronáutica exigia, além dos convites, um tratamento vip para os convidados da Força Aérea.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Humanidade mais carnívora: risco para a saúde e o meio ambiente
Qua, 23 Jan, 11h12
PARIS (AFP) - O consumo de produtos animais, que deverá aumentar em 50% até 2020, segundo a Organização Mundial para a Saúde Animal (OIE), acarreta grandes riscos sanitários e coloca em perigo os ecossistemas, ressaltaram especialistas.
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O aumento do consumo de carne em escala planetária ocorre sobretudo nas economias emergentes, tendo China e Índia como principais consumidores, e se traduz pelo comércio cada vez maior de produtos animais.
"Há riscos sanitários complementares, porque os produtos circularão mais rapidamente que o tempo de incubação das doenças", constata Jean-Luc Angot, diretor-geral adjunto da OIE.
Entre os fatores de surgimento ou ressurgimento de novas patologias, há também o aquecimento global, a modificação dos ecossistemas ou a mudança de hábitos alimentares.
"A febre catarral ovina (ou doença da língua azul) surgida em regiões onde não era conhecida anteriormente, como no norte da Europa, era considerada até então tropical", lembra Angot.
A destruição dos ecossistemas expõe o homem e os animais ao surgimento de novos agentes patogênicos. No final dos anos 90, o desmatamento na Malásia fez sair das florestas os morcegos frugívoros que contaminaram os porcos, levando à erradicação de muitas varas de porcos e provocando 300 mortes humanas.
As febres hemorrágicas como o Ebola também estão ligadas aos contatos entre o macaco e o homem devido ao desmatamento na África.
Em relação aos hábitos alimentares, o vírus da Aids poderia ter contaminado o homem ao cruzar a barreira da espécie por causa do consumo de carne de macaco, segundo uma hipótese que ainda não foi cientificamente provada.
O aumento do número de aves aumenta o risco de um vírus da gripe aviária passar por mutações para ser transmitido eficazmente de homem para homem, o que não parece felizmente ser o caso da cepa H5N1.
De maneira geral, "o desenvolvimento de criações industriais no Sudeste Asiático, na China e na Índia, nas portas das cidades cria problemas de hiperconcentração, de não-gestão de dejetos, de riscos sanitários", constata André Pfimlin, diretor de pesquisa e desenvolvimento do Instituto de Criações em Paris.
No final de 2006 a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) calculou em um relatório que os bovinos produzem mais gases causadores do efeito estufa que os carros. O metano que expelem e o protóxido de nitrogênio de seus dejetos são muito mais nocivos para o meio ambiente que o CO2.
Este relatório também colocou em evidência que grande parte dessas emissões provinham de criações pastoris, praticadas por populações muito pobres do Sahel ou da Ásia Central que dependem do gado para sobreviver.
A margem de manobra é pequena para que se possa reduzir as emissões de metano, mas "se todos os sistemas de criação otimizarem seus dejetos, seus adubos, ganharão em dinheiro e reduzirão o risco de poluição para a água e para o ar", segundo Pfimlin.
Nas zonas tropicais, a produção de carne reduz também os "poços de carbono" (que reúnem CO2 na vegetação). "Quando queimamos a floresta, no Brasil, na América Central, e também na Indonésia, o fazemos muito freqüentemente para criações de gado e também para plantações de soja" que servem para alimentar os porcos e as aves, explica este especialista.
Osvaldo Praddo /O Dia
Quinta, 24 de janeiro de 2008, 10h51
Atualizada às 11h33
Rio: mulher é presa suspeita de racismo em cinema
Marcelo Bastos
A produtora Ana Cristina de Paiva, 40 anos, foi presa na noite de ontem, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, por suspeita de racismo. Uma atendente do cinema do Shopping Downtown alega ter sido chamada de "negrinha" pela produtora. Ana Cristina vai responder pelo crime de injúria por preconceito racial, cuja pena pode chegar a 3 anos de prisão.
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De acordo com a vítima, que preferiu não se identificar, e com testemunhas, a confusão começou quando Ana Cristina entregou o cartão de crédito para pagar por pipocas que havia comprado.
"O pagamento não foi autorizado. Eu informei e ela disse que eu é que não estava sabendo usar o equipamento. Eu disse, então, para que ela mesma tentasse, já que pensava que eu não sabia trabalhar. Ela ficou furiosa, quis passar para o lado de dentro do balcão para me bater e disse que eu era uma negrinha e que devia estar morando na Rocinha", contou a jovem.
De acordo com testemunhas, a produtora gritava e a balconista chorava. "Foi um absurdo o que aconteceu. A mulher ainda perguntou: 'quer que eu a descreva como? Ela é negrinha da Rocinha mesmo, não é nenhuma princesinha da Barra.' Espero que ela seja punida, porque a impunidade deixa a gente ainda mais indignado", contou o professor de inglês Davi Ferreira de Pinho, uma das quatro testemunhas que foram à 16ª Delegacia de Polícia (Barra) acompanhar a vítima.
"Eu vim aqui cumprir meu papel de cidadã. Nós iríamos assistir ao filme O caçador de pipas, que fala sobre preconceito, e de repente acontece uma coisa dessas. Só de saber que essa mulher vai ficar presa, fico mais aliviada. Ela é uma criminosa. Não faz idéia do dano psicológico que pode causar a uma pessoa", disse outra testemunha, lembrando que a delegacia recebeu telefonemas para denunciar o caso.
Para a vítima, a sensação foi de constrangimento. "Não pensei que isso fosse acontecer comigo. Ela ameaçou me bater e disse que negrinha tem que morrer de trabalhar", disse.
O marido de Ana Cristina, que não teve o nome revelado, defendeu a mulher: "chamar uma negrinha de negrinha e um crioulo de crioulo é crime? Como é que eu diferencio? Acho que isso é síndrome de novela", comentou. Já a advogada de Ana Cristina não quis comentar o caso.
O Dia
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Augusto Boal é indicado para o Prêmio Nobel da Paz 2008
21/01/2008Fonte: Justiça Global
Após ter o método do Teatro do Oprimido aplicado em mais de 70 países, o criador da técnica, o diretor de teatro Augusto Boal, foi indicado para ser candidato ao Prêmio Nobel da Paz em 2008.
O Teatro do Oprimido tem o propósito de democratizar os meios de produção teatral e o acesso das populações oprimidas. O objetivo é transformar a realidade através de um diálogo a partir da sistematização de exercícios, jogos e técnicas teatrais. Inicialmente utilizado por camponeses e operários, hoje é amplamente aplicado por professores, estudantes, trabalhadores sociais e organizações não-governamentais em escolas, igrejas, teatros, prisões, entre outros.
Aos 77 anos, Boal é um dos mais importantes teatrólogos atuantes hoje no Brasil. Na década de 1970, criou o Teatro do Oprimido inspirado na obra do educador Paulo Freire e, desde então, vem desenvolvendo o método em vários países.
MST e Teatro do Oprimido
O teatro existe no MST como manifestação estética espontânea desde a origem do Movimento, juntamente com a música,a poesia e as artes plásticas. De forma organizada, o teatro ganha força a partir da parceria entre o MST e o Centro do Teatro do Oprimido (CTO), dirigido por Augusto Boal, iniciada em fevereiro de 2001. Com esta experiência, nasceu a Brigada Nacional de Teatro Patativa do Assaré, um grupo de militantes de vários estados do país, que tem a tarefa de formar novos multiplicadores e formar grupos nos acampamentos e assentamentos.
Hoje, existem cerca de 35 grupos de teatro do MST nas áreas de Reforma Agrária espalhadas pelo país.
http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=4799
Transgênicos enchem os cofres da Monsanto
18/01/2008Efeito do aumento da taxa de lucro média na agricultura na venda produtos específicos valorizados no mercado internacional, como o etanol, os lucros da empresa estadunidense Monsanto estão aumentando aceleradamente. Agricultores do mundo inteiro, principalmente dos Estados Unidos, Argentina e Brasil, estão plantando mais sementes transgênicas. A informação é da revista alemã Der Spiegel.
Segundo a publicação, os rendimentos da Monsanto no primeiro trimestre quase triplicaram, indo de US$ 90 milhões para US$ 256 milhões. A produtora de sementes geneticamente modificadas tem sido uma grande beneficiária do estímulo ao etanol e do aumento dos preços dos alimentos.
Para José Batista de Oliveira, da coordenação nacional do MST, esses números representam o controle, por parte da transnacional, dos agricultores do planeta e da taxa de lucro do comércio internacional. "Os transgênicos não são simplesmente organismos geneticamente modificados, mas produtos criados em laboratórios que colocam a agricultura nas mãos do mundo financeiro e industrial, grupos que lançam mãos de OGMs para controlar as sementes e impor o uso de insumos e venenos que produzem”, afirma.
Cerca de 50 empresas transnacionais controlam toda a produção agrícola no mundo. Aqui no Brasil, cerca de 50 empresas controlam quase todo comércio agrícola nacional, sendo 30 transnacionais e 20 brasileiras.
Folha de São Paulo, 22/01/08
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2201200825.htm
é assaltado
DA SUCURSAL DO RIO
O ator Reinaldo Gianecchini, 35, foi assaltado na noite de sábado no Jardim Botânico, zona sul do Rio. Ele é o quinto artista a sofrer com a violência na cidade nos últimos 30 dias.Gianecchini, o taxista Dante da novela da Rede Globo "Sete Pecados", acabara de sair do ensaio da peça "Doce Deleite" quando seu carro foi cercado por dois veículos.
De acordo com a assessoria do ator, Gianecchini dava carona a um amigo, que também teve pertences levados, quando foi abordado pelos criminosos. Armados, os ladrões levaram uma carteira, dois celulares e uma bolsa. Nem o ator nem o amigo foram agredidos.
No último dia 30, criminosos levaram o carro do sambista Paulinho da Viola, 65, que estava acompanhado de sua mulher, na Barra da Tijuca (zona oeste). No mesmo dia, a atriz Helena Ranaldi teve o carro atingido por tiros em uma falsa blitz na Linha Amarela. Nas duas últimas semanas, as atrizes Bianca Rinaldi e Christine Fernandes também foram vítimas da violência carioca.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/indices/inde22012008.htm
ELEIÇÕES EM CUBA
Participação do eleitorado foi de 96%, diz Havana
DA FRANCE PRESSE
A Comissão Nacional Eleitoral de Cuba afirmou ontem que a participação nas eleições do último domingo foi de 96% dos mais de 8 milhões de eleitores, o que caracterizaria um processo "exitoso", segundo a presidente do órgão, María Ester Reus. A votação confirmou o ditador Fidel Castro como membro da Assembléia Nacional, um passo necessário para que ele possa continuar no poder. Dos 8,2 milhões de votos depositados, 95,24% foram válidos, 3,73% em branco e 1,04% anulados. Para eleger alguém, bastam mais de 50% dos votos. O número de candidatos e o de vagas é o mesmo.http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2201200826.htm
Promotores vão investigar racismo nos desfiles da SPFW
MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL
EVA JOORY
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A apuração cita como ponto de partida os levantamentos publicados pela Folha nos últimos dias 17 e 18. Nesses dias, passaram pelas passarelas 344 modelos, dos quais só oito eram negros -2,3% do total.
A proporção de negros nos 40 desfiles ocorridos durante todo evento não difere muito daquela dos dias citados. Levantamento da Folha aponta que só 28 dos 1.128 modelos eram negros -ou 2,5%.
Segundo dados do IBGE de 2006, 6,9% da população brasileira se declaram negros, 42,6% dizem ser pardos e 49,7% consideram-se brancos.
As promotoras Érika Pucci da Costa Leal e Cláudia Maria Beré, do Grupo de Atuação Especial de Inclusão Social do Ministério Público, justificam a investigação por considerarem que é "necessário o combate à prática de todas as formas de discriminação, mais ainda quando ocorrem em eventos da magnitude e repercussão da SPFW", como escrevem na abertura do inquérito.
Às 21h de ontem, o diretor da SPFW, Paulo Borges, ainda não sabia da abertura do inquérito, mas disse que, na sua opinião, deveria tratar-se "de alguém querendo se promover às custas do evento".
"Esse problema [da escassez de modelos negros nas passarelas] existe há muito tempo, e a culpa não é dos estilistas, é de todo um sistema. Se quiserem resolver o problema da discriminação no mercado de trabalho, que comecem nas escolas, nos berçários, nas periferias. O Ministério Público que vá a esses lugares para obrigar que haja alimentação, educação e oportunidades para todos. No abrigo onde eu adotei o meu filho, tem 30 meninos iguais a ele", afirmou.
Recentemente, Borges adotou um menino negro de dois anos. Para a edição inverno-2008, a organização da SPFW escolheu como tema a diversidade racial, cultural e social.
Na opinião de Borges, a escassez de negros nas passarelas "é resultado da exclusão cultural, social e econômica". "Mas o fato é que também há poucos negros preparados para a carreira de modelo. Não é preconceito, é uma herança. Quem tem que mudar isso é a sociedade", afirmou ele.
Falta boa vontade
Na opinião do "stylist" Sandro Barros, alguns temas e temporadas não combinam com modelos negras. "É mais fácil ver negros nos desfiles de verão", diz.
Para o estilista Renato Kherlakian, a desproporção entre modelos negros e brancos nas passarelas é resultado da "falta de boa vontade". "Não adianta ter um "casting" de 40 modelos com um negro apenas. É preciso garimpar melhor. Tem negros lindos, mesmo se o corpo às vezes não corresponde às medidas necessárias. A falta deles nas passarelas só prova que o mercado de moda não evoluiu", afirma Kherlakian.
O estilista Dudu Bertholini, das grifes Neon e Cori, afirma que em seus desfiles há sempre negras, mas que neste ano suas modelos favoritas estavam fora do Brasil. "Pior que não chamar negros é colocar alguns só para provar que não temos preconceitos", diz ele.